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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Lampião cresceu na crise da República Velha.

A negação da justiça e a persistência dela traz a revolta para os oprimidos. Isso se deu no passado e se dá hoje no presente. Lá naqueles anos, o país saindo de uma Monarquia e entrando na República surgiram as autoridades dos coronéis.
 
Na proclamação da República em 1889 em diante foi implantado no Brasil o regime federalista, e este veio a favorecer a uma grande autonomia às províncias, fortalecendo as oligarquias regionais.
 
O poder dessas oligarquias regionais de coronéis veio a ser mais fortalecida com a política dos governadores iniciada pelo Presidente Campos Sales, o quarto presidente da República. Através da Política dos Estados, obteve o apoio do Congresso através de relações de apoio mútuo e favorecimento político entre o governo central, representado pelos presidentes da república e os estados, representados pelos respectivos governadores, e municípios, representados pelos coronéis. O poder de cada coronel era medido pelo número de aliados que tinha e pelo tamanho de seu exército particular de jagunços.
 
Nos estados mais pobres, como Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Sergipe e Alagoas os coronéis não eram suficientemente ricos e poderosos para impedir a formação de bandos armados independentes. Foi nesse ambiente que nasceu e prosperou o bando de Lampião, nos anos 1920, coincidindo o seu surgimento com a crise da República Velha.
 
Todos conhecem a história de Lampião. Mas nem todos entendem a política daquela época e o que levou tanto a ele quanto a muitos outros, enveredarem pelo caminho fora da lei.
 
Abaixo uma matéria do Jornal O Globo de 24 de janeiro de 1930 onde o bando de Lampião era o mais poderoso grupo de cangaceiros no nordeste brasileiro.