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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

LAMPIÃO, Justiça abandonada por falta de justiça

Justiça abandonada por falta de justiça
Por Raul Meneleu


Manuel Neto, certa vez, foi encontrado por Gérson Maranhão perambulando pelos areais do Moxotó, acompanhado apenas de três homens armados.

  • Voce não tem medo de andar assim com tão pouca gente? Perguntou-lhe Gérson.
  • Não respondeu ele. Nada tenho a perder na vida. Não quero mesmo viver. Só quero é morrer e o mesmo pensam os três que me acompanham. Ninguém de nós quer viver, mas só morrer.

O mesmo dizia o sargento Moisés, do povoado Bezerros, então pertencente ao município de Salgueiro (hoje Verdejante). Tornou-se ele, por questão de vingança,
grande perseguidor de Lamplão: "Meu desejo não é viver, mas morrer" dizia ele.

Também o sargento Lero (Aureliano de Sousa Nogueira), de Nazaré e perseguidor de Lampião: "Os nazarenos não tinham outro jeito, ou se acabar nas unhas de Lampião ou se acabar brigando com Lampião."

O que Lampião fez para esses valentes policiais lhe devotarem tanto ódio e perseguição? E por que reservei o nome desse artigo como "Justiça abandonada por falta de justiça"? se todos nós sabemos que Lampião era um facínora covarde e fez muita miséria por onde passava nos sertões nordestinos? Existiu algum momento dele ter uma vida social de honestidade e exemplo de cidadão pacato e cumpridor das leis?

Para seus cabras Lampião era um idolo. Tinha a força de um mito. Para isso contribuía sua conquistadora personalidade, excepcional inteligência, espirito de
liderança irresistivel, genialidade guerrilheira, profundo misticismo religioso e outros carismas notáveis. Além disso o modo como dirigia o grupo: rigorosa moral, exemplo de honestidade, espírito de justiça, energia de autoridade, alegria e fraternidade. Dai por que nunca faltaram cabras que o seguisse e verdadeiras feras humanas, sendo de todos eles senhor absoluto, da vida e da morte. E para se explicar por que ele dominava dessa forma podemos ver algumas de suas decisões:

  • por motivo de traição, matou Mourão...
  • por razão de falta de respeito moral, matou Cacheado, matou Sabiá...
  • Quando viu que não havia mais jeito de cura, matou outro Sabiá, o cabra que tinha sido baleado no combate de Mata Grande, e que vinha sendo conduzido numa rede, por léguas e mais léguas, por vários dias na direção do Navio.
  • Lampião condoía-se da pobreza. Segundo se conta, quando era almocreve, fazia questão de não deixar passar, sem sua ajuda, um esmoler ou necessitado.
  • No cangaço exercia a prática de enfermeiro, dentista (extrações à ponta da faca!) e parteiro.
  • Por toda parte favorecia os pobres, quer como produto dos saques, quer com dinheiro.

Tanto assim que os cantadores nas feiras,  o exaltavam pela justiça que exercia com eqüidade.

Mas o mundo inteiro ficaria abismado diante de suas legendárias gestas dilacerantes, hora agindo com loucura vingativa, hora com pendores de honestidade e bondade, se bem que essa última afirmativa fosse infinitivamente inferior em quantidade de atos em relação à primeira. Mas sabemos que os cantadores de feira focavam mais suas estórias nos predicados de homem revoltado pelas injustiças a ele acometidas e seus feitos mitológicos e quixotescos. Se bem que entrava também o medo de falar mal do cangaceiro. Sabe lá se teriam um encontro com ele nas estradas e caminhos?

Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, celebraria em famosa poesia, para agregar mais ainda a construção de um mito, suas palavras de protesto em forma de endechas, sua grande decisão de viver do outro lado da lei. E isso era bastante compreensível pelo sertanejo pobre, que constantemente era empurrado para o paredão das injustiças que eram submetidos naquele caldeirão cultural onde o direito pendia para os afortunados:

"Por minha infelicidade
Entrei nesta triste vida
Não gosto nem de contar
A minha história sentida
A desgraça enche o meu rosto
Em minha alma entra o desgosto
Meu peito é uma ferida.

Aí peguei nas armas
Para a vida defender
Perseguido, aperriado,
Vi que era feio correr,
Vi a desgraça no meu rosto
Então senti-me disposto
Matar para não morrer".'

Foi um alvoroço geral quando os cantores cordelistas levaram essas palavras de Virgolino Ferreira, entoadas num choro sentido, pela escolha que o ídolo fizera, praticamente por imposição de uma casta dominante, que não aceitara por inveja, esse rapazinho de inteligência fora do comum e que sobressaía-se nos eventos sociais, onde as mocinhas o olhavam admiradas por sua postura de corpo e inteligência. Era poeta, músico, ótimo como domador de cavalos, bom vaqueiro, excelente artífice do couro, bom negociante, excelente almocreve, fino e educado, religioso e respeitador. Essa era a imagem lembrada por todos que o conheciam.

Sim amigos, os cantadores de feira eram os portadores das palavras do povo que em reconhecimento proclamavam Lampião com o epíteto de "Santo":

"O Santo Lampião,
Era um homem bem devoto
Só andava pelo voto
Do Padre Cirço Romão
O Santo Lampião
Era um home bem querido
Ele era protegido
Do Padre Cirço Romão
Quando o pai dele foi morto
Depois é que não sabia
O Santo disse um dia
Precisamos nos vingá.
Lampião é inteligente
Que o povo bem já se vê
o Santo adivinhou
Até o dia de morrê."

Sim amigos, esse era o mundo injustiçado e abandonado em que viviam os deserdados em sua pobreza infinita, onde os meninos e meninas acordavam com olhos remelentos e pregados, como se fosse providência divina para não enxergarem a pobreza em que viviam, onde até mesmo a água para desgrudarem as pálpebras era difícil.

Era o mundo pesado caindo nas costas daquele povo sofrido e injustiçado, onde para fazer justiça, a força das armas eram o revide para ofensas de toda sorte; injúrias, traições, pagamento de dividas e de salários, etc., eram resolvidos pela força e o crime de homicídio era avaliado
naquele sertão de "deus dará" pela balança dos malfeitos cometidos. Era a justiça do povo.

Num mundo abandonado como aquele do sertão, absolutamente carente de justiça, Lampião iria aparecer, como um enviado quase hierático, reconhecido e consagrado pelo povo, para fazer justiça: ofensas de donzelas, resoluções de casamento, pagamento de dividas e de salários, etc, eram resolvidos por Lampião por onde  passava e que fazia questão de ser sempre justa, pois era
definitiva, aceita por todos sem discussão.  Conta-se que até mesmo crimes de homicídio anteriormente tão freqüentes, rarearam, porque Lampião seria chamado como juiz. Os rapazes pensavam duas vezes em mexer com uma moça donzela.

Um fato para ilustrar, colhido nos carrascais secos de Custódia, pelo padre Frederico Bezerra Maciel, conterrâneo de Lampião, onde este assunto surgira espontâneo e forte, pois ainda menino, fixou-se, não porém, como obsessão ou mesmo preocupação, mas como estudo pois era admirável e lhe despertara perguntas - "Quem é este homem para ser tão perseguido?” Perguntas como essa voejavam de sua mente e se misturavam ao apito nervoso dos trens que via, bufantes, fumacentos e poeirentos, transportando tropas volantes, ao toque estridente de cornetas,“ em demanda do sertão” o campo de batalha da Guerra de Lampião, onde recolhi dados para esse artigo; sua sextologia LAMPIÃO,  SEU TEMPO E SEU REINADO:
  • Seu Capitão e meu Padim, vim aquí pru mode tão dizendo que foi eu que buli com a moça, mas não foi eu não.
  • Me diga, zé Júlio, fale a verdade, você é meu afilhado. Só dou proteção dentro do direito e da justiça.
  • Juro meu Padim e Capitão, a moça já tava bulida.

Lampião depois de se inteirar rigorosamente, através de testemunhas, do caso e da inculpabilidade do afilhado, pune por ele, sentenciando peremptoriamente ao pai:

  • Trate de casar sua filha com outro. E não toque em Zé Júlilo, que não deve nada à honra dela.

E José Tiago da Silva, vulgo Zé Júlio, livrou-se de um casamento forçado à ponta de faca. Mais tarde, mudou-se ele para Belo Jardim onde se casou com D. Coleta Cirino. Matutão jeitoso e bom, tornou-se industrial de laticínios e fazendeiro, além de gostar de politica, chegando a ser prefeito municipal.

Lamplão tornou-se nome internacional e manchete 
obrigatória nos maiores jornais do mundo, "New York Times"; "Paris Match" e em Buenos Aires o "La Nación"
Não admira que a Enciclopéia Britânica, na sua edição brasileira BARSA, Ihe tenha dedicado verbete especial e na internet, pesquisa do portal Google, com milhares e milhares de páginas sobre ele, onde numa barafunda de histórias e estórias contam e inventam casos dele.

O poeta popular João Martins de Ataide, no folheto de sua autoria "Os projetos de Lampião", põe na boca de Lampião a seguinte sextilha:

"Muita gente no Brasil
Tem grande ódio de mim,
Outros julgam que eu nasci,
Somente para ser ruim,
Alguém está enganado,
Eu vivo nisto obrigado,
Mas nunca fui mau assim".


Então meus amigos, cheguei a conclusão que ninguém nasce ruim. Lampião foi levado àquela vida por fatos poderosos que talvez possa até ter tido inversão se tivesse sido assistido pela justiça dos homens. Mas, sabemos que esta é falha pois como diz, é a justiça dos homens! Agregado a isso, tem a questão do ego humano, o orgulho exacerbado das partes contribuindo para o crescimento da raiva e da dor. Além disso tem o mal uso das autoridades, de um poder que achavam ser ilimitado. E quem poderia ser contra? 

Vemos assim que até certa época da vida de Virgolino Ferreira, podemos dizer que era a de um rapaz comum, com seus almejos normais, dentro dos limites impostos a todos, pela imposição de uma sociedade imaginada, onde prevalecesse as regras independente do dinheiro e poder. Mas nunca foi igualitária, até os dias de hoje, mas houve melhorias. Mas isso não absolve Lampião. Poderá até absolver Virgolino. Mas nunca poderá absolver Lampião, pois sua conduta mesmo enaltecida em eventos humanísticos que são poucos, abate-se sobre ele a mão pesada da Justiça por sua vida de crimes e violência.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Táticas Radicais de Revolução



Para que não nos esqueçamos, pelo menos, de um reconhecimento excessivo ao primeiro radical: de todas as nossas lendas, mitologia e história (e quem deve saber onde a mitologia termina e a história começa - ou qual é qual), o primeiro radical conhecido pelo homem que se rebelou contra o establishment e o fez tão eficazmente que ele pelo menos ganhou seu próprio reino - Lucifer.

Quem era Saul Alinsky e por que ainda deveríamos nos importar? 

Devemos nos importar porque sua organização para táticas de revolução está sendo usada por ativistas e grupos em todo o nosso país hoje!

From Discover the Networks: 


[Saul Alinsky] Identificou um conjunto de regras muito específicas que cidadãos comuns poderiam seguir e táticas que cidadãos comuns poderiam empregar, como forma de ganhar poder público.

Criou um modelo de revolução sob a bandeira da "mudança social". 

Dois de seus mais notáveis ​​discípulos modernos são Hillary Clinton e Barack Obama.
Nascido de pais judeus russos em 1909, Saul Alinsky era um viajante comunista / marxista que ajudou a estabelecer as táticas de infiltração - juntamente com uma medida de confronto - que têm sido centrais nos movimentos políticos revolucionários nos Estados Unidos nos últimos tempos. décadas. Ele nunca aderiu ao Partido Comunista, mas, como diz David Horowitz,  tornou-se um avatar da esquerda pós-moderna . O vereador de Chicago, Leon Despres, um  membro do Partido Comunista e um colega de faculdade de Alinsky, disse certa vez : "Eu não acho que ele [Alinsky] pensasse remotamente em se juntar ao Partido Comunista, [mas] emocionalmente ele se alinhava fortemente com isso". E o biógrafo de Alinsky, Sanford D. Horwitt, escreveu que Alinsky era “amplamente simpático” com a política de seu amigo Herb March, que trabalhava como organizador da Young Communist League .
Embora Alinsky seja legitimamente entendido como um esquerdista, seu legado é mais metodológico que ideológico. Ele identificou um conjunto de regras muito específicas que cidadãos comuns poderiam seguir e táticas que os cidadãos comuns poderiam empregar, como forma de ganhar poder público. Seu lema era: "Os meios mais eficazes são o que conseguir os resultados desejados".
(recorte)
Alinsky expôs um conjunto de princípios básicos para guiar as ações e decisões dos organizadores radicais e das Organizações Populares que eles estabeleceram. O organizador, disse ele, “deve primeiro enxugar os ressentimentos do povo; Ventile as hostilidades latentes ao ponto da expressão aberta. Ele deve buscar controvérsias e questões, ao invés de evitá-las, a menos que haja controvérsia as pessoas não estão preocupadas o suficiente para agir. ” [40]   A função do organizador, ele acrescentou, era“ agitar ao ponto de conflito ” . e “manobrar e atrair o estabelecimento para que ele o ataque publicamente como um 'inimigo perigoso'”.[42]  “A palavra 'inimigo'”, disse Alinsky, “é suficiente para colocar o organizador do lado do povo”; isto é, para convencer os membros da comunidade que ele está tão ansioso para defender em seu nome, que ele voluntariamente se abriu para a condenação e escárnio. [43]
Mas não é suficiente para o organizador estar em solidariedade com o povo. Ele também deve, disse Alinsky, cultivar a unidade contra um inimigo claramente identificável; ele deve especificamente nomear este inimigo, e “singl [e] out” [44] precisamente quem é o culpado pelo “mal particular” que é a fonte da angústia do povo. [45] Em outras palavras, deve haver um rosto associado ao descontentamento das pessoas. Aquela face, ensinou Alinsky, “deve ser uma personificação, não algo geral e abstrato como uma corporação ou a prefeitura”. [46]   Antes, deve ser um indivíduo como um CEO, um prefeito ou um presidente.
Alinsky resumiu assim: “Escolha o alvo, congele-o, personalize-o e polarize-o…. [T] aqui não faz sentido as táticas, a menos que se tenha um alvo para centrar os ataques. ” [47] Ele sustentava que a tarefa do organizador era cultivar no coração das pessoas uma resposta emocional visceral negativa à face do inimigo. “O organizador que esquece o significado da identificação pessoal”, disse Alinsky, “tentará responder a todas as objeções com base na lógica e no mérito. Com poucas exceções, este é um procedimento fútil ”. [48]
Alinsky também aconselhou os organizadores a concentrarem sua atenção em um pequeno número de alvos estratégicos selecionados. Espalhar as paixões de uma organização com pouca força era uma receita para certo fracasso, alertou ele. [49]
(recorte)
Na opinião de Alinsky, a ação era mais frequentemente o catalisador do fervor revolucionário do que o contrário. Ele considerou essencial para o organizador levar as pessoas a agir primeiro (por exemplo, participar de uma demonstração) e racionalizar suas ações mais tarde. "Faça com que eles se movam na direção certa primeiro", disse Alinsky. "Eles vão explicar para si mesmos mais tarde por que eles se moveram nessa direção." [74]
Entre os princípios mais importantes do método de Alinsky estavam os seguintes:
  • “Faça o inimigo viver de acordo com seu próprio livro de regras. Você pode matá-los com isso, pois eles não podem mais cumprir suas próprias regras do que a Igreja Cristã pode viver de acordo com o cristianismo ”. [75]
  • “Nenhuma organização, incluindo a religião organizada, pode viver de acordo com a letra do seu próprio livro. Você pode matá-los até a morte com seu 'livro' de regras e regulamentos. ” [76]
  • “Praticamente todas as pessoas vivem em um mundo de contradições. Eles adotam uma moralidade que não praticam ... Esse dilema pode e deve ser totalmente utilizado pelo organizador para envolver indivíduos e grupos em uma Organização do Povo. É um calcanhar de Aquiles bem definido mesmo na pessoa mais materialista. Preso na armadilha de suas próprias contradições, essa pessoa achará difícil mostrar uma causa satisfatória tanto para o organizador quanto para ele mesmo, a respeito de por que ele não deveria participar e participar da organização. Ele será levado à participação ou a uma admissão pública e privada de sua falta de fé na democracia e no homem ”. [77]
Alinsky taught that in order to most effectively cast themselves as defenders of moral principles and human decency, organizers must react with “shock, horror, and moral outrage” whenever their targeted enemy in any way misspeaks or fails to live up to his “book of rules.”[78]
Além disso, disse Alinsky, sempre que possível, o organizador deve ridicularizar seu inimigo e descartá-lo como alguém indigno de ser levado a sério porque ele é intelectualmente deficiente ou moralmente falido. "O inimigo propelido e guiado em sua reação será sua maior força", disse Alinsky. [79]   Ele aconselhou os organizadores a “rir do inimigo” em um esforço para provocar “uma raiva irracional”. [80] “O ridículo”, disse Alinsky, “é a arma mais poderosa do homem. É quase impossível contra-atacar o ridículo. Também enfurece a oposição, que então reage à sua vantagem. ” [81]
(recorte)
Alinsky morreu em 1972, mas seu legado vive como um método básico de esquerda, um verdadeiro projeto de revolução (que ele e seus discípulos eufemisticamente chamam de "mudança"). Dois de seus mais notáveis ​​discípulos modernos são Hillary Clinton eBarack Obama .
Em 1969, Hillary Clinton escreveu sua tese sênior de 92 páginas   sobre as teorias de Alinsky. Uma grande admiradora da mistura de táticas ativistas implacáveis ​​e furtivas de Alinsky, Hillary entrevistou pessoalmente a famosa autora de seu projeto. Ela concluiu sua tese  declarando :
“Alinsky é considerado por muitos como o proponente de uma perigosa filosofia sócio-política. Como tal, ele teme-se - assim como tem sido temido Eugene Debs [o candidato do Partido Socialista cinco vezes ao presidente dos Estados Unidos] ou Walt Whitman ou Martin Luther King, porque cada um deles adotou as mais radicais fés políticas - a democracia ”.
Hillary manteria sua lealdade aos ensinamentos de Alinsky durante toda a sua vida adulta. De acordo com um  relatório de março de 2007 do Washington Post :
“Como primeira-dama, Clinton ocasionalmente emprestou seu nome para projetos endossados ​​pela Industrial Areas Foundation (IAF), o grupo Alinsky que lhe ofereceu um emprego em 1968. Ela arrecadou dinheiro e participou de dois eventos organizados pela Washington Interfaith Network, um IAF. afiliado."
Em última análise, a investigação de Hillary dos métodos e ideais de Alinsky levou-a a concluir que os programas federais antipobreza da era Lyndon Johnson não foram longe o suficiente na redistribuição de riqueza entre o povo americano e não deram poder suficiente aos pobres.
Quando Hillary se formou em Wellesley em 1969, ela recebeu um emprego no novo instituto de treinamento de Alinsky, em Chicago.Ela optou por se matricular na Faculdade de Direito de Yale.
Ao contrário de Hillary Clinton, Barack Obama nunca conheceu Saul Alinsky. Até o momento Alinsky morreu em 1972, Obama tinha apenas 11 anos de idade. Mas, quando jovem, tornou-se um praticante mestre dos métodos de Alinsky. Em 1985, um pequeno grupo de 20 igrejas em Chicago ofereceu a Obama um emprego para ajudar moradores de bairros pobres do Extremo Sul, predominantemente negros. Aceitando essa oportunidade, Obama tornou-se diretor do Projeto Comunidades em Desenvolvimento, onde trabalhou durante os próximos três anos em iniciativas que iam desde o treinamento profissional até a reforma escolar e a limpeza de resíduos perigosos. David Freddoso, autor do livro de 2008  The Case Against Barack Obama , resume os esforços de organização da comunidade de Obama da seguinte forma:
“Ele perseguiu objetivos manifestamente dignos; Proteger as pessoas do amianto nos projetos habitacionais do governo é obviamente uma boa coisa e uma responsabilidade do governo que as construiu. Mas [em todos os casos, exceto um] a solução proposta para todos os problemas do South Side era uma distribuição de fundos do governo ... ”
Três dos mentores de Obama em Chicago foram treinados  na Fundação de Áreas Industriais, fundada por Alinsky. (O Projeto Comunidades em Desenvolvimento em si era um afiliado da  Fundação Gamaliel , cujo modus operandi para a criação de uma “sociedade mais justa e democrática” está firmemente enraizado no método Alinsky.)
Um dos primeiros mentores de Obama no método Alinsky, Mike Kruglik, viria a dizer  o seguinte sobre Obama:
“Ele era um mestre natural e indiscutível da agitação, que podia ocupar uma sala cheia de alvos de recrutamento em um rápido diálogo socrático, incitando-os a admitir que não estavam cumprindo seus próprios padrões. Tal como acontece com o panhandler, ele poderia ser agressivo e de confronto. Com sondagens, às vezes perguntas pessoais, ele identificaria a fonte da dor em suas vidas, derrubando seus egos apenas o suficiente antes de balançar uma cenoura de esperança de que poderiam melhorar as coisas.
Obama ensinando o métodos Alinsky.
Durante vários anos, o próprio Obama  ensinou oficinas  sobre o método Alinsky. Além disso, a partir de meados da década de 1980, Obama trabalhou com a  ACORN , a organização política de base Alinsky que nasceu da Organização Nacional de Direitos do Bem-Estar de  George Wiley  (NWRO).
Este perfil foi escrito por John Perazzo.

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As 12 regras de Saul Alinsky para os radicais

Aqui está a lista completa da Alinsky.
* REGRA 1: “O poder não é apenas o que você tem, mas o que o inimigo pensa que você tem.” O poder é derivado de duas fontes principais - dinheiro e pessoas. Os que não têm devem construir poder de carne e osso. (Essas são duas coisas das quais há uma oferta abundante. O governo e as corporações sempre têm dificuldade em atrair as pessoas, e geralmente o fazem quase exclusivamente com argumentos econômicos.)
* REGRA 2: “Nunca saia da perícia do seu pessoal”. Isso resulta em confusão, medo e recuo. Sentir-se seguro aumenta a espinha dorsal de qualquer um. (As organizações sob ataque se perguntam por que os radicais não resolvem as questões "reais". É por isso. Eles evitam coisas com as quais não têm conhecimento.)
* REGRA 3: “Sempre que possível, vá além da perícia do inimigo.” Procure maneiras de aumentar a insegurança, a ansiedade e a incerteza. (Isso acontece o tempo todo. Veja quantas organizações sob ataque estão cegas por argumentos aparentemente irrelevantes que eles são forçados a abordar.)
* REGRA 4: “Faça o inimigo viver de acordo com seu próprio livro de regras”. Se a regra é que cada carta receba uma resposta, envie 30.000 cartas. Você pode matá-los com isso porque ninguém pode obedecer a todas as suas próprias regras. (Esta é uma regra séria. A credibilidade e a reputação da entidade sitiada estão em jogo, porque se os ativistas a pegarem mentindo ou não cumprindo seus compromissos, eles podem continuar destruindo os danos.)
* REGRA 5: “O ridículo é a arma mais poderosa do homem”. Não há defesa. É irracional. É irritante. Também funciona como um ponto chave de pressão para forçar o inimigo a fazer concessões. (Muito grosseiro, rude e malvado, hein? Eles querem criar raiva e medo.)
* REGRA 6: “Uma boa tática é a que o seu povo gosta.” Eles continuarão fazendo isso sem insistir e voltando para fazer mais. Eles estão fazendo suas coisas e até sugerem melhores. (Os ativistas radicais, nesse sentido, não são diferentes de qualquer outro ser humano. Todos nós evitamos atividades “não divertidas” e nos divertimos e aproveitamos os que trabalham e trazem resultados.)
* REGRA 7: “Uma tática que se arrasta por muito tempo se torna uma chatice”. Não se torne uma notícia antiga. (Mesmo os ativistas radicais ficam entediados. Então, para mantê-los animados e envolvidos, os organizadores estão constantemente criando novas táticas.)
* REGRA 8: “Mantenha a pressão. Nunca desista. ”Continue tentando coisas novas para manter a oposição desequilibrada. Enquanto a oposição domina uma abordagem, acerte-a pelo flanco com algo novo. (Ataque, ataque, ataque de todos os lados, nunca dando à organização em dificuldades uma chance de descansar, reagrupar, recuperar e refazer estratégias.)
* REGRA 9: “A ameaça é geralmente mais aterrorizante do que a própria coisa.” Imaginação e ego podem gerar muitas outras conseqüências do que qualquer ativista. (A percepção é realidade. Grandes organizações sempre preparam o pior cenário possível, algo que pode estar mais longe da mente dos ativistas. O resultado é que a organização gastará tempo e energia enormes, criando em sua própria mente coletiva as mais terríveis conclusões. As possibilidades podem facilmente envenenar a mente e resultar em desmoralização.
* REGRA 10: “Se você empurrar um negativo com força suficiente, ele irá avançar e se tornar um positivo.” A violência do outro lado pode conquistar o público ao seu lado porque o público simpatiza com o oprimido. (Os sindicatos usaram essa tática. Demonstrações pacíficas [embora altas] durante o auge dos sindicatos do início até meados do século XX provocaram a ira da administração, muitas vezes na forma de violência que acabou por trazer a simpatia do público para o seu lado.)
* REGRA 11: “O preço de um ataque bem sucedido é uma alternativa construtiva.” Nunca deixe o inimigo marcar pontos porque você é pego sem uma solução para o problema. (Old saw: Se você não faz parte da solução, você é parte do problema. As organizações ativistas têm uma agenda, e sua estratégia é manter um lugar à mesa, para receber um fórum para exercer seu poder. Então, eles precisam ter uma solução de compromisso.)
* REGRA 12: Escolha o alvo, congele-o, personalize-o e polarize-o. ”Corte a rede de suporte e isole o alvo da simpatia. Vá atrás de pessoas e não de instituições; as pessoas se machucam mais rápido que as instituições. (Isso é cruel, mas muito eficaz. Críticas dirigidas e personalizadas e obras ridículas.)

watchmanscry.com


China - Olhar ao passado para entender o presente

O pensador e filósofo chinês Confúcio
'É impressionante como ecos do passado podem ser vistos no presente' da China, diz a historiadora Rana Mitter*

Para entender as notícias sobre a abordagem chinesa a questões como comércio, relações exteriores e censura na internet, é preciso voltar ao passado.

A China talvez seja mais consciente de sua própria história do que qualquer outra grande sociedade no mundo. Essas recordações vão até certo ponto - eventos como a Revolução Cultural (1966-76) de Mao Tsé-Tung são ainda muito difíceis de serem discutidos dentro do país. Mas é impressionante como ecos do passado podem ser vistos no presente.

1 - Comércio
Os chineses costumam lembrar um tempo em que seu país era forçado a fazer trocas comerciais contra sua vontade. Tanto que, hoje, o país considera os esforços do Ocidente para abrir os mercados chineses como uma recordação desse período infeliz.

Atualmente, os EUA acusam Pequim de inundar os mercados americanos de produtos baratos enquanto fecha seu mercado às exportações americanas. No entanto, a balança comercial externa nem sempre favoreceu os chineses.
Robert Hart
Um britânico (Robert Hart, acima) era quem comandava a Alfândega chinesa entre 1863 e 1911

Há cerca de 150 anos, o país asiático tinha pouco controle sobre seu próprio comércio internacional. Foi a época em que o Reino Unido atacou a China nas chamadas "guerras do ópio", a partir de 1839. Nas décadas seguintes, os britânicos fundaram uma instituição chamada Serviço Imperial Alfandegário Marítimo, para determinar tarifas a serem impostas nos produtos importados da China. O órgão era parte do governo chinês, porém ficou séculos sob comando britânico.

As memórias desse tempo ainda reverberam.

Tudo era diferente na época da dinastia Ming, no século 15, quando o almirante Zheng levou sete grandes frotas ao Sudeste Asiático, ao Ceilão (hoje Sri Lanka) e até à costa da África Oriental para promover seu comércio e exibir o poderio chinês.
Image copyright ALAMY Pintura de explorações matíritimas chinesas no século 15

Viagens foram um raro exemplo de projeto estatal do tipo.

Um dos objetivos das viagens de Zheng era impressionar os parceiros comerciais chineses e trazer incríveis e exóticos itens "importados" - por exemplo, a primeira girafa a chegar à China veio dessas expedições. Poucos outros impérios eram capazes, à época, de enviar enormes frotas pelos oceanos.

E Zheng podia entrar em combates se assim o desejasse - derrotou, por exemplo, um governante do Ceilão. No entanto, suas viagens são um raro exemplo de um projeto marítimo estatal. Nos séculos seguintes, a maioria do comércio exterior chinês ocorreria por vias não oficiais.

2 - Problemas com os vizinhos
A China sempre demonstrou preocupação em manter a paz nos países com os quais faz fronteira. Isso ajuda a explicar por que o país até hoje aceita lidar com o imprevisível regime norte-coreano.

Mas, historicamente, essa não é a única fronteira delicada do gigante asiático.

Pequim já enfrentou vizinhos mais difíceis do que Kim Jong-un (que, por sinal, fez recentemente uma visita surpresa aos líderes chineses, em sua primeira viagem internacional oficial).
Image copyright GETTY IMAGES Jornais retratando visita de Kim Jong-un à China em março

Jornais retratando visita de Kim Jong-un à China em março; país tem laços geralmente dúbios com seus vizinhos.

Em 1127, época da dinastia Song, uma mulher chamada Li Qingzhao fugiu de sua casa, na cidade de Kaifeng. Conhecemos sua história porque ela se tornou uma das melhores poetas chinesas, sendo amplamente lida até os dias de hoje. Ela saiu em fuga porque sua comunidade estava sob ataque.

Um povo do norte, os Jurchen, havia invadido a China após um longo período de frágil aliança com o imperador da dinastia Song. Enquanto as cidades eram incendiadas pelos invasores, a elite da China se via forçada a se espalhar pelo país.

A história de Li Qingzhao e de toda a dinastia serviu na China como lição de que apaziguar vizinhos é uma estratégia com efeito limitado. Por muito tempo, a dinastia Jin comandou o norte da China, e os Song fundaram um novo reino ao sul. Mas, no fim, ambos foram dominados por um novo grupo de conquistadores: os mongóis.
Image copyright GETTY IMAGES Genghis Khan, líder do império mongol

Genghis Khan, líder do império mongol, que invadiu a China e a dominou em diversos momentos.

A mudança de traçado nos mapas ao longo do tempo mostra como foi mudando a definição da própria China. A cultura do país é comumente associada a algumas ideias, como idioma, história e sistemas éticos, como o confucionismo.

No entanto, outros povos, como os manchus e os mongóis, ocuparam o trono chinês em vários momentos, dominando o país com as mesmas ideias e princípios que os chineses étnicos.

Esses vizinhos nem sempre ficavam "quietos", mas muitas vezes encamparam e exercitaram valores chineses de modo tão eficiente quanto os próprios.

3 - Fluxo de informação
A China moderna censura informações politicamente sensíveis na internet, e os que ousam dizer nas redes verdades políticas consideradas problemáticas pelas autoridades podem ser detidos ou sofrer punições ainda piores.

A dificuldade em falar a verdade aos poderosos é uma questão sensível há tempos. Historiadores chineses muitas vezes se viram forçados a escrever não o que achavam realmente importante, mas, sim, o que os líderes queriam que fosse escrito.

Mas Sima Qian - comumente descrito como o "grande historiador" da China - escolheu um caminho diferente.
Image copyright ALAMY Sima Qian

Sima Qian foi um conhecido historiador que, apesar de alvo de punição, moldou o relato histórico no país.

Autor de uma das mais importantes obras de recriação do passado chinês, no século 1 a.C., Sima ousou defender um general que havia perdido uma batalha. Isso foi considerado uma afronta ao imperador, e Sima foi condenado à castração.

Ainda assim, ele deixou um legado que até hoje molda a forma como se escreve a história na China.

Seus registros mesclavam diferentes tipos de fontes, criticavam figuras do passado histórico e usavam técnicas da história oral para ser mais preciso nos relatos. Tudo isso configurava, à época, uma forma totalmente nova de fazer história e abriu precedente para futuros escritores: se você estivesse disposto a sacrificar sua segurança, conseguiria escrever os fatos em vez de se autocensurar.

4- Liberdade de religião
A China moderna é muito mais tolerante a práticas religiosas do que na época da Revolução Cultural de Mao, mas movimentos de cunho religioso que possam desafiar o governo ainda são vistos com desconfiança.

Em geral, a abertura religiosa foi durante muito tempo parte da história chinesa.
Image copyright ALAMY Imperadora Wu Zetian

Imperadora Wu Zetian chegou a promover o budismo na China do século 7, contra o que provavelmente via como tradições sufocantes do confucionismo.

No auge da dinastia Tang, no século 7, a imperadora Wu Zetian abraçou o budismo como uma forma de combater o que ela provavelmente via como as sufocantes normas das tradições confucionistas.

Na dinastia Ming, o jesuíta Matteo Ricci foi tratado pela corte chinesa como um interlocutor de respeito, ainda que provavelmente houvesse mais interesse nos conhecimentos dele sobre a ciência ocidental do que em suas tentativas de conversões religiosas.

Mas a fé sempre foi um assunto perigoso.

Ao fim do século 19, a China foi convulsionada por uma rebelião iniciada por Hong Xiuquan, homem que clamava ser o irmão mais jovem de Jesus; A rebelião Taiping prometia trazer um reino de paz celestial à China, mas acabou levando a uma das mais sangrentas guerras civis da história, com a morte de até 20 milhões de pessoas, segundo algumas estimativas.
Image copyright ALAMY Batalha da rebelião Taiping

Batalha da rebelião Taiping, um dos levantes envolvendo a religião que ocorreram na China
Presentational white space.

Algumas décadas mais tarde, o cristianismo estaria ao centro de um novo levante. Em 1900, camponeses rebeldes passaram a perseguir missionários cristãos e seus convertidos, a quem chamavam de traidores da China.

A princípio, a corte imperial os apoiou, o que levou à morte de muitos cristãos chineses, antes que a rebelião fosse eventualmente contida.

Ao longo de boa parte do século seguinte, e com efeitos até os dias de hoje, a Estado chinês oscila entre tolerância religiosa e o temor de que a religião abale o país.

5 - Tecnologia
A China atual almeja se tornar um hub global de novas tecnologias e já é líder em aspectos como inteligência artificial, reconhecimento de voz e big data.

Vale lembrar que, um século atrás, o país passou por uma primeira revolução industrial - e as mulheres tiveram papel tão central na época quanto têm hoje.

Muitas das fábricas que hoje produzem chips de celular para o mundo inteiro têm como mão de obra jovens mulheres muitas vezes submetidas a terríveis condições de trabalho, mas que pela primeira vez também estão buscando seu lugar na economia industrial.

Elas herdaram a experiência das jovens de 100 anos atrás que foram empregadas nas fábricas de tecidos de Xangai e do delta do rio Yangtze. O trábalho era árduo, comumente levava a ferimentos físicos e câncer de pulmão, e as condições dos dormitórios dos empregados costumavam ser espartanas.

Ainda assim, esas mulheres relatavam o prazer de ganhar seus próprios (baixos) salários e de ocasionalmente sair para passear.
Image copyright GETTY IMAGES Trabalhadoras chinesas por volta de 1912

Trabalhadoras chinesas por volta de 1912; mulheres tiveram e ainda têm papel central nas revoluções industriais e tecnológicas do país.
Algumas gostavam de admirar as vitrines
(provavelmente sem poder comprar nada) das lojas de departamento então recém-inauguradas no centro de Xangai.

Até hoje, na mesma cidade, ainda é possível ver a nova classe trabalhadora chinesa consumindo bens e serviços como parte da nova economia chinesa, movida pela tecnologia.

O que dirão futuros historiadores?
Estamos vivendo uma nova significativa era de transformação na China. Futuros historiadores notarão um país que, se em 1978 era empobrecido e voltado a si mesmo, um quarto de século depois começaria a se tornar a segunda maior economia do mundo.

Eles também observarão que a China foi o mais importante país a rejeitar o que parecia ser uma onda inevitável de democratização.

Talvez outros fatores, como a (já extinta) política do filho único e o uso de inteligência artificial na vigilância da população também chamem a atenção de futuros escritores. Ou mesmo questões relacionadas ao meio ambiente, à exploração espacial ou ao crescimento econômico que ainda não estão tão claramente definidas para nós.

Mas uma coisa é quase certa: daqui a um século, a China ainda será um local fascinante para os que vivem ali e os que convivem com ela, e sua rica história continuará a informar seu presente e sua direção futura.

*Rana Mitter é professor de História e Política da China Moderna na Universidade de Oxford e diretor do centro de estudos chineses da instituição.