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quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Lampião, passagem por Lavras da Mangabeira, em 1927

"Passagem de Lampião por Lavras da Mangabeira, em 1927" - veja o link  do video.

Depois de  Percorremos de Juazeiro do Norte a Lavras da Mangabeira pela BR 230, continuamamos nela por mais alguns quilômetros e entramos numa estrada vicinal onde rodamos mais um longo trecho, em busca da Estrada Real, hoje intransitável,  com seus marcos de concreto, até pararmos e descermos das vans para percorremos um trecho de uns dois quilometros dentro da caatinga até o local que Lampião e cerca de 30 cangaceiros, e mais 3 reféns capturados pelos bandidos para pedirem resgate, acamparam. Os bandidos vinham fugindo do combate à cidade de Mossoró onde foram escorraçados pelos bravos moradores comandados por seu Prefeito, Rodolfo Fernandes. Os coronéis de Lavras da Mangabeira, considerada a 2ª cidade a ter mais coronéis no ano de 1927 no Ceará, juntos empreenderam uma caçada a Lampião que fugiu novamente.

https://youtu.be/RBrDofsrRHk

quarta-feira, 31 de julho de 2019

CARIRI CANGAÇO 10 anos - Juazeiro

Amigos e Confrades, neste evento tivemos muitas surpresas emocionantes. Primeira e mais importante é estarmos comemorando 10 anos de um projeto que está patente para todos nós, que constitui-se de grande importância para um nicho da história, que quase estava esquecida, por grande parte da população do nordeste, que por muito tempo importou de fora, as histórias dos cowboys. Se não fosse a abnegação de alguns cineastas, não teríamos o pouco de películas que temos sobre e se não fosse os pesquisadores e historiadores, não teríamos tantos livros sobre o assunto. Nesses 10 anos, que faço parte, apenas na metade desse tempo, não por desvalorizar nos primeiros cinco anos do Cariri Cangaço tal história e sim por oportunidade dada, pois desde menino ouço, pela boca dos Canuto, dos Mascarenhas, dos Jácome e dos Câmara, ramificações familiares que tenho no meu querido Rio Grande do Norte, na cidade  de Campo Grande,  que em 1903 passou a ser chamada Augusto Severo em homenagem ao inventor do dirigível Pax,  por lei proposta pelo deputado Luís Jácome e que mais recentemente, em 1991 também por lei, voltou a ser chamada  de Campo Grande.

Como poderia eu isolar da memória e da carga emocional, que tais famílias carregaram e carregam na história de terras potiguares, do nordeste e do Brasil?

Nunca!

E nunca faltou interesse, pois bebia desse néctar histórico aos pés de minha querida avó Albertina Jácome Mascarenhas, filha do Coronel Benvenuto Jácome e de Dona Izolina Maria da Câmara Jácome, que, ao mudar-se com o marido e filhos para Mossoró, pensando em melhor educação escolar para a prole, em 1927 teve que fugir de Lampião, como todas famílias fizeram. Seu marido, grande artífice em carpintaria e artista renomado, era conhecido em Mossoró pelo apelido de Chico Santeiro, pois talhava com maestria e perfeição, Santos da igreja Católica dos tempos de Padre Mota e do Bispo Dom Jaime Câmara e que teve de ficar na cidade, protegendo-a junto com os demais, de Lampião e seus cabras.

CARIRI CANGAÇO 10 anos também, em segundo lugar, nos deu mais uma vez a oportunidade de irmanar-nos na alegria dos converscotes ligeiros e nas confabulações mais longas sobre assuntos pertinentes a essa "cachaça" tão saborosa que é o cangaço. 

E em terceiro lugar, lógico que tem os quarto, quinto  "lugares" e por aí vai, foi a fundação nesse evento de brilhos, da nossa Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço, que se tornará uma força para a historia. Grande privilégio desse escriba menor, nesse contingente de intelectuais que fazem parte da divulgação da cultura nordestina e que também são fundadores da ABLAC.

Quero parabenizar a todos que participaram desse grandioso evento CARIRI CANGAÇO 10 ANOS, principalmente ao seu líder maior, Manoel Severo, idealizador e Curador do  Cariri Cangaço. 

AVANTE!

segunda-feira, 25 de março de 2019

Príncipe William, o Sapo Cururu

Era uma vez num pequeno Vilarejo da cidade praiana de Caiçara dos Rios dos Ventos, onde as ondas do mar de alentejo vinham lamber os pés de seus moradores, quando esses passeavam nas areiasn douradas de suas praias. Lá existe uma pequena propriedade, toda plantada de frutas e flores, onde as ervas medicinais, cresciam sem serem plantadas, reside entre as árvores e gramas desde de tenra idade, um sapo majestoso e grande, como vocês podem ver nessas imagens.


Ele sentia-se a vontade, pois era muito bem recebido pelos donos da pequena propriedade, que o acolheram quando era do tamanho de uma unha do dedo mindinho.

Ele protege todo aquele belo quintal dos insetos, fazendo deles sua alimentação. Não se incomoda com os gatos nem com os cachorros, nem com Lourival, o papagaio, que de vez em quando fiscaliza o que estão fazendo os animais da propriedade.


Os donos da propriedade quando notaram há muitos anos atrás este batráquio, e o receberam nesse quintal encantado, deram o nome de príncipe William pra ele, pois acreditavam que ele era um príncipe encantado por uma bruxa e tinha vindo se esconder em seu quintal.

Todo dia William quando anoite, sai de sua toca e anda na propriedade. Mas quando chove William sai para andar, mesmo que seja de dia, com seu jeito engraçado de andar conforme vocês podem ver nesse vídeo:

Só quem conversa com o Príncipe William é o Lourival e a vovó Quinha Flor. A lingua batrákia é uma linguagem muito difícil de se aprender, primeiro porque muita gente não gosta de sapos, e em segundo lugar a língua batráquia é muito difícil mesmo e a pessoa precisa ter um batráquio em seu quintal para que possa aprende-la. 

Mas os sapos são muito importantes para nós humanos pois fazem uma limpeza de insetos nas Lagoas nos rios nas florestas e quem tem um sapo em seu quintal é uma pessoa muito feliz. 

Veja na foto abaixo um dos perigos para os seres humanos que é o escorpião:


Esse daí apareceu aqui no quintal e vovó Quinha Flor chamou William para que esse pudesse comer o escorpião. Você sabia que em todos os casos, independentemente da picada de escorpião você deve procurar socorro médico imediatamente?

Finalizando a história do sapo William, quero dizer que nas conversações de vovó Quinha Flor com o príncipe, este lhe disse que ele era um sapo mesmo, sempre foi um sapo e que tinha escolhido este lugar para morar, por ouvir falar pelos animais da redondeza, que os donos desse sítio eram pessoas que gostavam de animais.

Então? Gostou da história do Príncipe William? O que você aprendeu com ela?



quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Lampião em Mossoró e Cartas de Amigos


Acabo de receber pelos Correios o livro Lampião em Mossoró de autoria do nosso saudoso amigo Raimundo Nonato, que foi enviado pelo professor Francisco Pereira, grande livreiro paraibano. Aproveito para falar também do meu Amigo e Pai, Francisco Meneleu, em seu livro "Coisa Julgada e Cartas de Amigos" onde registrou seus tempos de revolucionário da Revolta Comunista de 1935 no Rio Grande do Norte e do seu convívio com amigos, onde fazia parte de uma CORRENTE DA AMIZADE*, título da Confraria de Intelectuais que uma vez por ano reuniam-se na Serra do Martins, para confraternizarem a amizade. E entre eles estava o amigo  Raimundo Nonato, que tive o privilégio de conhecer.
Chamava meu Velho Pai de LAMPIÃO DE CASCA DE MELANCIA, por seu envolvimento na famosa Intentona Comunista. Meu pai diz, em seu livro, como introdução ao capítulo reservado a RAIMUNDO NONATO, O Jagunço, como ele assinava as cartas a meu pai:

"Lampião de Casca de Melancia. Era assim que ele me chamava, carinhosamente. Retirante da seca de 1915 veio para Mossoró e aí começou toda uma luta... Com muita
perseverança e resistência venceu dificuldades e tomou-se mais tarde um dos melhores e mais inteligentes professores
de Mossoró. Como mestre ensinou a várias gerações, inclusive à minha, de cuja época tenho saudades... Depois de muitos anos o nosso professor, batalhador de nascença, já casado com a Professora Edith Bessa fundaram um Curso para o ensino Normal, na antiga Praça do Moinho, onde eu e Adeú** (Aloísio Solino) tomamos umas aulas para enfrentarmos o curso "elefante".
Autor de obras de valor inestimável para a bibliografia norte-río-grandense, principalmente, tornou-se um dos
maiores nomes da literatura potiguar. "Memórias de um retirante" é o seu clássico (livro de memórias).
Nonato deixou saudades, mas antes de tudo, deixou seu nome registrado nos anais da História. dezenas de cartas foram extraídas durante estes anos. a última, a de Primeiro de Março de 1992 ficou para terminar nossa correspondência da corrente da amizade. com o falecimento do meu professor, que me ensinou em várias épocas, no dia 22 de agosto de 1993 ficou um vácuo que nunca será preenchido peço que Deus ilumine o seu espírito para acompanhar os seus amigos aqui neste mundo velho de maldades. Muito obrigado Nonato por tudo!"

* membros da confraria: Vingt-Un Rosado; Raimundo Soares de Brito; Renato Rebouças; Enélio Lima Petrovich; Josinete Câmara; Zenaide de Almeida; José Gonçalves Pinheiro e   Juvêncio Cunha Filho, o Pucunino.

**Aloísio Solino, meu Padrinho de batismo

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

O Vaticano de Aracaju

Descobrindo Aracaju depois de 38 anos aqui residindo fico aflito por ter perdido tanto tempo. Mas precisava trabalhar para o sustento meu e dos meus. Talvez isso, seja o alívio para minha consciência. Alguns podem até pensar, " que besteira " é essa de sentir-se assim. Mas quando digo isso,  não o digo com consciência pesada, como se fosse um grande pecado. O digo, por não ter tido interesse em saber a história da cidade. Depois de aposentado, estou fazendo o que não podia fazer antes.
Aracaju tem ainda, muitos casarões do século 19. Alguns deles tive a oportunidade de ver, antes de serem demolidos. Outros, que ainda estão em pé, este, da Esquina da Rua de Santa Rosa com Avenida Ivo do Prado, somente o conhecia por passar em frente nas minhas idas ao mercado municipal. 

Nunca tinha procurado saber a procedência de sua construção. E chegou o dia de saber mais sobre o belo casarão, tão mal cuidado, uma pena...
Quem acendeu a luzinha de minha consciência foi o meu médico otorrino, Doutor Marcelo Ribeiro, em uma ida a seu consultório para uma limpeza, pois tenho que fazer isso pelo menos semestralmente, pelo acúmulo de cerume e por vez em quando ter crise de otite.
Marcelo Ribeiro, além de médico é escritor, membro da academia Sergipana de letras e da academia Sergipana de medicina, da Sociedade Brasileira de médicos escritores, do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe e da Academia de Letras e artes do Nordeste. Quando faço essas visitas periódicas a seu consultório, creio que seus clientes que estão na fila de espera depois de mim, devem ficar espantados com a demora do atendimento à minha pessoa. É que já nos conhecemos há vários anos desde quando militávamos no Partido dos Trabalhadores e Marcelo fora eleito deputado estadual. Torna-se uma farra de ideias e conversas quando lhe visito.
Pois bem, nesta última, falei-lhe sobre minha visita à cidade de São José do Belmonte, em Pernambuco, por ocasião do Grande Encontro da Confraria Cariri Cangaço, onde reuniu-se pesquisadores e escritores das coisas nordestinas, cujo tema maior foi as desavenças, das famílias Carvalho e Pereira, verdadeira guerra no sertão nordestino. Foi quando Marcelo Ribeiro passou a me contar sobre Mário Cabral, que em sua época de menino, tomou ojeriza por um dos mais importantes ícones da literatura Sergipana, por questões de família, quando Mário Cabral em seu livro Roteiro de Aracaju, obra publicada em 1948, quando Mário escreveu no capítulo Vaticano, uma crítica, que a meu ver depois de ler a história, achei de péssimo mau gosto, pois pelo menos naquela ocasião, não tivera o vislumbre de uma obra de época, que hoje enfeita o centro histórico de Aracaju. Foi uma crítica lamentável, mas que depois na edição de 1955, foram tais expressões substituídas, como se pode ver abaixo, onde todas essas expressões grifadas foram suprimidas pelo autor. Esse relato, está no livro do Doutor Marcelo Ribeiro, intitulado Cabral, Mário Cartas Abertas.


Texto de Mário Cabral, onde ele conversa com uma fictícia amiga:
"Não se trata do Vaticano de Roma, a cidadela do catolicismo, a suntuosa residência do Chefe da Igreja. Trata-se do Vaticano de Aracaju.
O Vaticano, querida, é um monstruoso prédio construído na esquina da Avenida Otoniel Dória com a Avenida Getúlio Vargas. Aconteceu assim: José da Silva Ribeiro (um capitalista) idealizou, certa vez, levantar um grande edifício na capital sergipana. E como dinheiro não lhe faltasse, meteu mãos à obra. 
E começou a construir, improvisadamente. O maior edificio da cidade, no seu tempo. Não havia planta, nem projeto, nem engenheiro. Havia, apenas, dinheiro e a idéia esquesita do capitalista José da Silva Ribeiro. Os alicerces foram feitos, enormes, pesados, alicerces de fortaleza. Ao depois, rapidamente, subiram as pare-
des. Depois das paredes, aqui e ali, foram surgindo as divisões internas, as salas, os quartos, os corredores, os mais diversos e exóticos apartamentos do mundo.
Ao terminar a sua gande loucura  (grande obra), gastara, José Silva Ribeiro (esse capitalista), no monstrengo arquitetônico, milhares de cruzeiros, uma boa parte da sua sólida fortuna. Quisera lhe mostrar, querida, O Vaticano de outrora, sem as modificações introduzidas 
posteriormente.
Você penetraria um largo Pórtico, pórtico de museu ou de igreja. 
E subiria, logo depois, uma escadaria imponente. Ao chegar ao primeiro pavimento você estaria perdida, desorientada,
em um terrível meandro de salas, quartos e corredores sem saber recuar nem prosseguir. Você atravessaria dezenas de salas, dezenas de quartos, dezenas de
corredores, você subiria e desceria dezenas de pequenas escadas, mas, ao fim de ingente esforço, voce necessitaria o auxílio de um morador no sentido de acertar com a porta de saída. Eis o Vaticano, minha amiga.
Uma multidão de seres reside ali, naquele labirinto intrincado. Operários, canoeiros, soldados, prostitutas e marinheiros. Em baixo, no andar térreo, ficam os
bilhares, as casas de jogo, os bares frequentados pela pela gente do cais, pelos estivadores e pelos maloqueiros. A cachaça corre com fartura errar a noite não sucede um conflito, luta corporal, luta de peixeiras afiadas e reluzentes ponto mas, embora no centro da cidade, a ronda policial evita intervir Nas questões internas do Vaticano. Hoje o Vaticano está modificado. O labirinto foi desfeito. Mas assim mesmo, é interessante percorrer as suas dependências. Você verá o Vaticano de Aracaju. Lá não há luxo e esplendor, mas sujeira e Miséria. Os ratos vírgulas enormes, nojentos e agressivos, também São donos do Velho Casarão. Assim é o Vaticano de minha Terra, a obra-prima do capitalista José da Silva Ribeiro."

Hoje, quase que esta construção do século 19 está desvirtuada. A foto acima mostra como era, em sua construção original. As demais, abaixo, são recentes, retiradas do Google Mapa, onde onde vemos as modificações.
O poder público e autoridades devem concientizar-se que tal casarão tem que ser preservado assim como outros que foram adquiridos pelo governo e que servem de escolas, universidades, museus e repartições públicas. Restam bem poucos casarões da época. Preservá-los é fundamental para nossa história.















terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Comentários ao livro Apagando o Lampião

Mesmo com as críticas contundentes dos amigos pesquisadores, autores de livros e documentaristas, a Frederico Pernambucano de Mello sobre a questão de quem matou Lampião, não podemos desmerecer os esforços deste grande pesquisador conhecido por todos nós.

Quando você começa a ler o livro não quer parar, porque as frases borbulhantes da mente maravilhosa deste Grande Professor, soam como música aos nossos ouvidos.

Por exemplo, quando chegamos à página 15, ele mostra que existem escritos valiosos da maioria dos escritores, mas que deixam em aberto boa parte do complexo de causas, sociais, econômicas, políticas e até tecnológicas que construíram para o grande desfecho de 1938 na grota do Angico.

Isso me lembrou nosso famoso escritor Sergipano Alcino Costa, que em um dos seus livros, mostra os mistérios que aconteceram neste desfecho, onde foi morto o cangaceiro mais famoso da história desta Saga Nordestina.

Mostra-nos Frederico Pernambucano de Mello, que escrever sobre Lampião, sobre todos os fatos que envolveram o rei dos cangaceiros, torna-se em determinados momentos, nos assuntos específicos, uma armadilha para o pesquisador. E diz " que cada tópico do episódio que cor o mundo afora se abre em armadilha para o pesquisador a ponto de nos trazer à mente verso com que outro repentista extraordinário, Pinto do Monteiro, converteu para si mesmo na imagem do perigo, fazendo uso de cores sertanejas quando improvisou:

Eu sou um pé de Cardeiro
Na beirada do Riacho,
Com um Arapuá por cima
E um rolo de cobra embaixo,
Mangangá se arranchando:
Só vem a mim quem for macho!

Com isso o autor prestigia aqueles escritos mais importantes que foram feitos por outros. Ele diz textualmente "O quadro é preciso nas tintas. Reproduzi-lo aqui vale por homenagem deliberada do autor deste livro, àqueless que se debruçaram sobre o tema com a coragem de enfrenta-lhe a complexidade, arrostando paixões que se inflamam a cada ano decorrido do acontecimento. Paixões que, longe de arrefecer, parecem cristalizar-se em desafio permanente, convertendo o tema em Campo Minado.
A despeito do comentário, tivemos o cuidado de não fazer tábua rasa de nenhuma destas fontes escritas, do que dá prova a bibliografia ao final. A todas analisamos demoradamente. Demora de anos. As obras que chegaram ao "cardeiro" e as que deste sequer se aproximaram."

E para concluir apenas a parte inicial do livro, antevendo a querela mais importante, ele diz: "Não nos surpreendem as dificuldades enfrentadas por seus autores. Afinal, debruçaram-se sobre um mito em vida, que a morte não fez senão ampliar. Dos mais completos exemplos do processo psicológico de sublimação de perfil humano que o Brasil pode ver em sua história, esse de Lampião."

Depois posto outros comentários, se não me der preguiça, pois só escrevo quando dá vontade. Mas... o "cardeiro" (para um bom entendedor uma palavra basta) enfrenta sem temor defender sua tese com argumentos. E doa em quem doer!

sábado, 1 de dezembro de 2018

Os Vagalumes de Maria Bonita


Na história do Cangaço precisamos ter cuidados em fazermos afirmativas, pois as contradições que muitas vezes, senão em maioria, nunca foram propositais.

Destaco o depoimento da cangaceira Sila, quando, contando que na noite anterior do fatídico dia da morte de Lampião e Maria Bonita, junto com mais nove cangaceiros, estava sentada em uma pedra, conversando com Maria e que viu lampejos que ela achava que poderiam ser fachos de lanternas, mas que fora dissuadida por Maria Bonita, que lhe dissera que eram apenas luzes dos vagalumes. Ela então talvez convencida naquela ocasião, que realmente eram lâmpadas de vagalumes, não ficou preocupada e nem disse isso ao seu companheiro Zé Sereno quando chegou em sua barraca. No depoimento ela diz que após o acontecido,  lembrando dessa conversa, esta lhe marcou a mente, que eram soldados fazendo o cerco ao Angico. Mas pergunto: que hora era  aquela da conversa, se o ataque se deu cedinho pela manhã e temos testemunhos de soldados, que disseram que às 3 horas da manhã, não tinham ainda atravessado o Rio São Francisco?

A mente humana pode ser convencida por algum fato lembrado, mas que necessariamente tal fato não se deu.
Boa parte das lembranças do ser humano é falsa. Jamais aconteceu. Não passa de mentiras inventadas pelo cérebro, fizem os psicólogos.

Parte das lembranças é pura imaginação. Isso porque a memória não é um registro da realidade – é uma interpretação construída pela mente. O nosso cérebro inventa o mundo, das cores que a gente vê às experiências que a gente vive. E edita essas informações antes de gravá-las.

Boa parte das lembranças é falsa. Jamais aconteceu. Não passa de mentiras inventadas pelo cérebro. Lembrar é imaginar, e imaginar é distorcer.
Em uma reportagem de Gisela Blanco e Bruno Garattoni publicado na revista Super Interessante de julho de 2018, reportando sobre isso, mostra que essas lembranças sempre afloravam no consultório de algum psicólogo, depois de sessões de terapia com técnicas de hipnose e regressão e se descobriu muitos casos de falsas memórias, que haviam sido acidentalmente induzidas por psicólogos durante sessões de hipnose. É aquela história que de tanto se falar se acredita.

"É uma interpretação construída pela mente. O nosso cérebro inventa o mundo, das cores que a gente vê às experiências que a gente vive. E edita essas informações antes de gravá-las, explica o psicólogo cognitivo Martin Conway, da Universidade de Leeds. Cientistas da Universidade Harvard pediram a voluntários que se lembrassem de uma festa em que tinham estado. Em seguida, eles deviam imaginar uma festa que ainda não havia acontecido. Os pesquisadores monitoraram as cobaias durante todo o experimento e descobriram que, nos dois exercícios, sua atividade cerebral foi praticamente a mesma. Ou seja: os mecanismos que usamos para acessar nossas memórias são os mesmos que usamos para imaginar as coisas. Uma pessoa pode ter lembranças erradas ao ler o que está gravado corretamente na sua memória,

Vocês podem até se lembrar do principal, mas todo o resto será distorcido – com direito a várias informações criadas pelo cérebro. Já que a memória e a imaginação usam os mesmos mecanismos, a mente não vê problema em dar uma inventadinha para completar as lacunas.

Essa tendência é tão forte que a Justiça possui artifícios para se defender disso, e ver se os relatos de testemunhas estão contaminados pela imaginação. Além de propor situações que não aconteceram (como no caso do americano Paul Ingram), os interrogadores evitam perguntas indutivas (“ele estava usando um boné, certo?”) ou que envolvam raciocínio negativo (“isso não está certo, né?”), pois elas acabam levando o cérebro a distorcer as memórias. Mas não há uma maneira de determinar, cientificamente, se uma lembrança é real. Nem mesmo o detector de mentiras consegue desmascarar falsas memórias, e por um motivo simples. Sabe aquela máxima que diz: uma coisa não é mentira quando você acredita nela? Pois é.

Apesar de tudo isso, é difícil imaginar uma sociedade que não acreditasse na memória das pessoas. Não existiria verdade nem realidade coletiva, pois cada indivíduo viveria isolado em seu próprio mundo de lembranças. “A crença na memória é fundamental para várias instituições da sociedade, como a Justiça e as escolas”, afirma Schacter. Ainda bem. Pois, no futuro, nossas memórias serão totalmente diferentes."

Então amigos, não era porque Sila estava mentido. Ela e Maria Bonita realmente conversaram naquela pedra e a lembrança que Sila teve quando algum tempo depois, alguns dias depois ou talvez meses, quando ela lembrou ficou gravado em sua mente que aquelas luzes de lanternas eram dos Soldados. Mas não poderia ser pois, a que horas elas estavam conversando em cima daquelas pedras? Era 3 horas da manhã? Eu duvido que isso se deu nessas horas entre 3 e 4 da manhã! Provavelmente deveria ser, essa conversa, antes de 22h.

Mas aí já entra da minha parte essa interrogação. Mas sinceramente acho muito difícil que essa conversa tenha se dado as 3 horas ou 4 horas da manhã pois os soldados ainda estavam atravessando o rio.

RAUL MENELEU
30 de novembro 2018

Créditos
Foto de Sila: print screen Prog. do Jô
Fotos: Benjamim Abraão
Documentário: Aderbal Nogueira