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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Sabe Deus, quase não tenho amigos


Lembrei hoje vendo um filme. Mulheres - O Sexo, com Meg Ryan e Annette Bening. O enredo fala de uma mulher traída pelo marido que decepciona-se com uma amiga que conta tudo para uma colunista de fofocas. Depois da relação ficar abalada, passa um tempo e as duas se reencontram e descobrem que ainda são amigas.


Foi aí que lembrei que eu quase não tenho amigos. Já desconfiava a muito tempo.


Foi revelador para mim. Pois as imagens passaram em minha mente. Tenho colegas. Colegas motociclistas, colegas de trabalho, vizinhos que conversam vez em quando comigo, colegas de academia, colegas de hidroginástica. Mas amigo mesmo, não tenho.
                        
Tenho minha esposa. Posso dizer que é a melhor amiga que tenho, mas esposa não é a pessoa mais indicada para você contar certas coisas com o perigo dela tomar partido de alguma situação. Mas Marido e mulher são uma amizade diferente. Envolve sexo e cumplicidade.  

Tenho filhos e posso dizer que são amigos. São mais que amigos. E filhos são uma dádiva preciosa que recebemos e não podemos quebrar esses presentes de Deus com assuntos divididos pois  também tem a condição de ouvir e tomar partido. 

Sim, no filme vemos quatro amigas onde uma delas trai a confiança da outra por contar coisas íntimas de uma delas. Mas amizade quando é profunda, existe o perdão. E foi isso que me fez reafirmar a convicção que amigos são jóias raras e não se encontra em qualquer esquina da vida.

Sim Deus, não tive tempo de cultivar amizades. Saí para a luta e deixei tudo pra traz. Pai, Mãe, Irmãos e amizades. Larguei tudo e corri em busca de uma vida melhor para dar uma melhor condição à minha família. 

Foi dessa forma que não tive tempo para cultivar amizades. Tenho conhecidos. Sinto falta de um amigo. Amiga não acredito, pois não existe amizade entre um homem e uma mulher. O que rola entre homem e mulher, é sexo, desculpe-me a franqueza.

Entrei então na religião. Não mencionarei qual, para não ferir sensibilidades. Mas não existe amigos em religiões.
Uma pesquisa recente dentro de alguns grupos religiosos, foi constatado que o espírito harmonioso de uma amizade, inexiste porquanto os contatos de humanos se dão depois de adultos.

Foi constatado que à medida que os membros se ajuntam, pode até existir uma união, mas apenas no local de reunião de adoração. Raro são os casos de amizade fora do templo religioso e quando isso se dá, são identificados como grupinhos e geralmente com o padrão financeiro mais avançado, onde outros da própria seita não têm acesso às suas reuniões sociais.

Quando um membro se afasta por algum motivo, mesmo fazendo parte de um grupinho elitista, passa a ser visto com desconfiança pelos que compõem a seita religiosa e cessa-se a pseudo amizade.


Uma revista religiosa no ano de 2001 diz que os brasileiros fazem agora menos amizades do que dez anos atrás, imagine hoje. Segundo uma especialista em saúde mental da Universidade de São Paulo, os fatores que levam a isso são a competição acirrada pelo mercado de trabalho, a luta para manter determinado padrão de vida e menos tempo para o lazer. 


Certo diretor-médico do Centro Adventista de Vida Saudável, em São Paulo, chegou a dizer: “Para ter amigos verdadeiros, é preciso partilhar sentimentos, abrir o coração e deixar sair coisas alegres e tristes, fáceis e difíceis. Isto requer tempo e aprofundamento da intimidade afetiva. A maioria das pessoas tem o desejo de se abrir afetivamente, mas sente medo de agir assim. Na dúvida, não arrisca e tem amizades superficiais.”

Sim, temos amizades superficiais e isso não é bom para ninguém. 

Mas tenho o Senhor, Deus. E isso é reconfortante. Pois sei que o Senhor me ouve a qualquer momento, e tenho certeza absoluta que o Senhor não vai dizer para outras pessoas, meus problemas íntimos. Na tua palavra escrita em auxílio espiritual, os hóspedes teus são aqueles que andam sem defeito e praticam a justiça e falam a verdade nos seus corações. E isso o Senhor sabe, pois vê meu coração. Tento e persisto em tentar ser uma pessoa sem defeito perante o Senhor.