Translate

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Lampião estudado por revolucionários


Lampião foi muito estudado pela esquerda revolucionária que lutou contra a ditadura militar de 1964. 
Voltando mais atrás (1924-1927) vemos que o líder da Coluna Prestes (Luís Carlos Prestes) não se deu conta do poder de Lampião, que era respeitado por sua valentia e estratégicas campanhas paramilitares. 

Virgulino Ferreira, o maior bandoleiro nordestino, e porque não dizer, guerrilheiro e estrategista, onde até mesmo guerrilheiros da história brasileira moderna, digamos assim, incentivaram seus comandados a lerem sobre Lampião, como foi o caso do líder guerrilheiro Carlos Marighella, que lutou contra a ditadura implantada em 1964 no Brasil. (Marighella - O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo - Mário Magalhães - pág. 396)

Um dos livros indicados por Joaquim Câmara Ferreira, líder dirigente do Partido Comunista Brasileiro, ao famoso guerrilheiro Marighella, era o livro "As táticas de guerra dos cangaceiros" de Christina Matta Machado. 

Marighella admirava o homem que tinha lutado em seis estados nordestinos e que as táticas de colunas móveis, elaboradas por Lampião, tinha resistido por quase 20 anos."

"Temos que ser como Lampião", repetia o guerrilheiro.

Virgulino Ferreira, o Lampião, foi visto muito antes de nascer, pelos profetas que pregavam no sertão. Seu destino na história já estava traçado. Lampião foi visto em sonhos por Antônio Conselheiro, onde evocou uma profecia anunciando para depois de sua morte a vinda de um guerreiro que se caracterizaria pela sua extrema piedade, mas também pelo furor e sucesso, e que zombaria das forças governamentais.

Em seu livro "Lampião, senhor do sertão : vidas e mortes de um cangaceiro", Elise Grunspan-Jasmin registra na pág. 76 que o major Optato Gueiros, tinha contratado, na Bahia, um velho de mais de 60 anos, muito alto e forte ainda, que andou algum tempo com as Forças Volantes, na região de Canudos, o qual tinha sido um dos generais de Antônio Conselheiro, conhecido por Pedrão. Este usou a "mesma tática de Lampião contra as tropas atacantes, dai a demora da conquista do bastião do Conselheiro. [...]" 

O mesmo fanático de Canudos citou uma "profecia" de António Conselheiro, que julgava ele, referir-se a Lampião, a qual declarava que dentro de 50 anos, haveria de surgir nos sertões dos Estados do Nordeste, um homem que, apesar de ser religioso, seria cangaceiro e daria o que fazer a muitos governos.

Para o ex-jagunço de Antônio Conselheiro, Pedrão, não tinha dúvida de que essa profecia se referia a Lampião, porque "justamente ele encarnava a figura do cangaceiro piedoso, cristão, respeitando a tradição católica". 

E realmente Lampião em qualquer lugar que estivesse, no mato, tirava do bornal a imagem. improvisava um altar e passava a rezar e em algumas vezes, até o dia inteiro, no exercício piedoso de suas orações. Por isso concluiu o jagunço Pedrão: "... é que, o cangaceiro religioso de que falava o Conselheiro. só poderia ser Lampião"

E foi assim que nasceu Lampião, debaixo de numerosas profecias ligadas ao seu nascimento que anunciaram sua vida de maldades, bondades, de religiosidades e de seu estranho destino. Em versos de cordel citados nas feiras, o destino de Lampião era o de ser bandido e que até mesmo a parteira que "o pegou" tinha profetizado que êle seria lembrado por seus feitos, por gerações e gerações.

Perdeu Luís Carlos Prestes a oportunidade de cooptar o famigerado bandoleiro para lutar contra a opressão dos corruptos da primeira República brasileira pois já tínhamos muitos nodestinos no Rio de Janeiro e São Paulo. 

A Coluna Prestes, liderada por Luís Carlos Prestes entre 1924 e 1927, foi um movimento revolucionário tenentista que fez campanha contra diversas estruturas e práticas da Primeira República Brasileira (1889-1930). Seus principais alvos foram:

Oligarquia e Coronelismo:  
   Combateu o domínio das oligarquias agrárias, especialmente de São Paulo e Minas Gerais, que controlavam o poder por meio do sistema "café com leite". Denunciavam o coronelismo, no qual grandes proprietários rurais manipulavam votos e mantinham o poder local através de violência e clientelismo. A grande marcha protestava contra:

Fraudes Eleitorais:  
   Protestavam contra a falta de democracia real, marcada por eleições fraudulentas, voto de cabresto e exclusão política da população rural e das classes menos favorecidas.

Desigualdades Sociais e Econômicas:  
   Criticavam a concentração de terras, a pobreza no campo e a negligência do governo com questões sociais, como educação, saúde e direitos trabalhistas.

Centralização do Poder:  
   Questionavam a exclusão política de outras regiões do Brasil, que não tinham representação efetiva no governo federal, dominado pelas elites paulistas e mineiras.

Corrupção e Autoritarismo:  
   Denunciavam a corrupção endêmica e a falta de transparência nas instituições públicas, além da repressão violenta a movimentos populares.

Embora a Coluna Prestes não tenha alcançado seus objetivos imediatos, sua resistência (com uma marcha de mais de 25 mil km pelo interior do Brasil) expôs as fissuras do sistema oligárquico e inspirou futuras mobilizações, como a Revolução de 1930, que pôs fim à Primeira República. O movimento também simbolizou a luta por justiça social e reformas democráticas na história do Brasil.

Dessa forma, Luís Carlos Prestes perdeu a oportunidade de se sair vitorioso contra a República Velha, mas claro que inspirou futuras mobilizações contra ela.

domingo, 30 de março de 2025

Caminhos Cruzados

"SEU" ALMIRO E O URSO BRANCO*

Senhor Almiro com o neto Bruno
Hospedado em um hotel em Stela Maris, Salvador, Bahia, para passar o dia aguardando a hora de embarque para Madrid, Espanha, resolvi por volta das 15 horas de quinta-feira dia 16/03/2017, dá uma saidinha em busca de comprar fitas para colocar em nossas malas, para identificar melhor as mesmas na esteira do aeroporto. 

Fui andando pela avenida do hotel para ver se encontrava um armarinho. Fui em algumas lojinhas e perguntando aqui e acolá fui bater em um pequeno shopping center de bairro, onde entrei em uma lojinha de cosméticos onde a senhora proprietária me atendeu. 

Me tratando muito bem, depois que expus meu propósito, me deu uma sugestão de utilizar fita de presente. Aceitei a sugestão e Dona Paulina, esse é seu nome, (Paulina Silva Araújo),  dirigindo-se a uma prateleira apanhou um rolo de fitas e perguntou se um metro serviria. Pedi dois. 

Perguntei quanto custava e ela disse-me que, como eu era o primeiro freguês, não iria me cobrar nada, mesmo eu insistindo. Inclusive depois que cortou a fita pegou uma tesourinha de cabos plásticos e disse que eu levasse também para ajudar nos preparos de amarrar as fitas nas malas. Também oferta da casa, mesmo eu reforçando que agora estava mais valioso os materiais para ela me ofertar grátis. 

Daí ela me perguntou de onde eu era. Expliquei-lhe que morava em Aracaju e ela me disse que tinha alguns parentes lá e que gostava muito dessa cidade.

Foi quando eu disse que já tinha morado em Salvador, no bairro de periferia chamado Pirajá. Ela me relatou que também tinha residido ali e perguntou-me se eu tinha conhecido seu pai, o Senhor Almiro, que tinha trabalhado na ITT (Itapoan Transportes Triunfo). 

Foi uma surpresa muito grande pra mim ter encontrado sua filha, em uma coincidência formidável. Tinha em minha juventude trabalhado como motorista de ônibus coletivo nessa empresa e passamos a lembrar do "Seu" Almiro, que coordenava as saídas dos ônibus da garagem que ficava próximo ao bairro de São Caetano no subúrbio. 

Uma grande coincidência estava se dando ali naquele momento. Então passei a contar-lhes alguns casos engraçados envolvendo a minha pessoa e seu pai. Foi uma alegria! Seu filho Bruno (Bruno Biscaia Araujo), um jovem rapaz, que vinha chegando na loja e que ela me apresentou. Pediu que o jovem fosse chamar seu pai, e o marido veio para me conhecer. 

Igualmente como a esposa, o Senhor Edmilson, (Edmilson Biscaia Araujo), foi de uma hospitalidade sem igual. E passamos a conversar como se já fôssemos amigos de muitos anos.

Essas coincidências da vida são ótimas e servem para vermos o quanto somos dependentes uns dos outros, mesmo que não sintamos na maioria das vezes os laços nesse emaranhado de caminhos que cruzamos uns com os outros.

Que o Senhor Deus do Universo tenha o Senhor Almiro em um lugar bom de sua memória. E com certeza o tem.

Agradeço de coração ter encontrado com essa família maravilhosa de Dona Paulina. Isso nos faz mais humanos. Espero que em outras visitas a essa terra maravilhosa que é a Bahia de São Salvador, possa estreitar mais os laços que nos unem através desse homem que em minha juventude tive o privilégio de conhecer.

O Senhor Almiro tinha um carinho especial para comigo. Lembro até hoje dele. Nunca ralhava comigo, jovem e rebelde, mas me falava e aconselhava como se fosse um pai falando ao filho.

Recordo de uma de minhas peraltices, em que ele ao ver o estrago que eu tinha provocado no ônibus 53 que eu dirigia, com algumas janelas quebradas, por ter tido um pega com outro ônibus, que um companheiro da mesma empresa dirigia, (ambos vazios e só com os cobradores, pois nos dirigíamos para a primeira viagem), na avenida do Terminal da França, Cidade Baixa, em Salvador, quando tive que voltar à garagem para colocar os três vidros quebrados, e ele ao ver o ônibus, mandou que eu o encostasse na oficina e viesse falar com ele. 

- Mas Urso Branco... o que você fez meu filho! 

Até então ele não sabia do pega. Veio a saber depois nas rodas de conversa de motoristas e cobradores, quando relatavam os inúmeros casos do dia com cada um. Nunca me cobrou o dinheiro dos vidros. Era assim "seu" Almiro comigo. E os colegas se admiravam por ele ter tanto carinho e consideração por mim.

O Senhor Almiro, tinha passado um tempo em Aracaju, residindo, e lembrei agora que o encontrei em determinada ocasião, onde trocamos gentilezas e lembranças dos velhos tempos, e ele ficou bastante alegre em saber que eu trabalhava agora na Petrobras, quando fiz o concurso para a mesma, quando de minha pequena passagem pela ITT (Itapuan Transportes Triunfo). 

Ele conhecia meu curriculum vitae, onde sabia de meu profissionalismo como técnico e supervisor. Talvez fosse por isso, por esse conhecimento de ver um jovem que não media esforços para sustentar a família, tendo tido empregos melhores remunerados e grau de supervisão nos mesmos, que "Seu" Almiro me admirava. E a admiração era mútua! Eu via seu esforço de trabalho com sua limitação física, que nunca o abatia e nem reclamava.

"Seu" ALMIRO! O Senhor é dessas pessoas que a gente nunca esquece. Inda mais com uma coincidência dessas em conhecer sua bondosa filha e sua família. Que O Senhor Soberano do Universo continue a ajudar ao Senhor Almiro a ajudar outras pessoas!

Sua bênção "Seu" Almiro!

* Meu apelido quando rapaz

quinta-feira, 6 de março de 2025

Sertão nordestino

O Sertão Nordestino é uma região geográfica, cultural e histórica do Nordeste do Brasil, conhecida por sua identidade marcante, clima semiárido e resistência diante de adversidades.

Geografia e Clima
- Localização: Ocupa parte do interior dos estados do Nordeste, como Ceará, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Bahia, Alagoas e Sergipe.

- Bioma: Predominantemente Caatinga, vegetação adaptada à seca, com espécies como xique-xique, mandacaru e juazeiro.

- Clima: Semiárido, com chuvas irregulares (média de 300-800 mm/ano) e longos períodos de estiagem. A "seca" é um fenômeno histórico que impacta a vida local.

História e Conflitos
- Colonização: Explorado no período colonial para a pecuária extensiva, adaptada ao clima seco.
- Expansão do interior: Conflitos entre colonizadores, indígenas (como os Kariri e Pankararu) e cangaceiros (como Lampião), que desafiavam o poder oligárquico.
- Grandes secas: Secas catastróficas no século XIX e XX (ex.: 1877, 1915, 1958) causaram migrações em massa (retirantes) e mortes. Governos responderam com obras como açudes e a Transnordestina (ferrovia inacabada).
- Guerra de Canudos (1896-1897): Conflito no sertão da Bahia, retratado em "Os Sertões" (Euclides da Cunha), simbolizando a resistência do sertanejo.

Cultura e Identidade
- Literatura: 
  - Os Sertões (Euclides da Cunha) e obras de Graciliano Ramos (Vidas Secas), Ariano Suassuna (Auto da Compadecida).
  - Cordel: Poesia popular em folhetos, com temas como heroísmo, amor e desafios da seca.
- Música: 
  - Forró, baião e xote, com ícones como Luiz Gonzaga (Rei do Baião) e Dominguinhos.
  - Letras que retratam a vida, o amor e a saudade do sertão.
- Festas e religiosidade: 
  - Festa de São João, com fogueiras, quadrilhas e comidas típicas (milho, carne de bode).
  - Devoção a santos como São José, padroeiro contra a seca, e romarias como a de Juazeiro do Norte (CE).

Economia e Desafios
- Agricultura de subsistência: Cultivo de feijão, milho, mandioca e criação de caprinos/ovinos.
- Modernização: Projetos como irrigação no Vale do São Francisco (fruticultura para exportação) e energia solar (potencial na região mais ensolarada do Brasil).
- Desigualdades: Acesso limitado a água, educação e saúde, com êxodo rural para capitais ou sul do Brasil.

Resiliência e Simbolismo
- Sertanejo: Figura heroificada na cultura brasileira, representando coragem e adaptação. 
- Frase simbólica: "O sertão vai virar mar, e o mar virar sertão" (profecia de Antônio Conselheiro), refletindo esperança e transformação.
- Arte e resistência: Movimentos culturais, como o "Movimento Armorial" (Ariano Suassuna), valorizam a fusão entre erudito e popular.

Curiosidades
- Lampião e Maria Bonita: Líderes cangaceiros que viraram lendas, misturando violência e romance.
- Pedra do Reino: Sítio arqueológico em PE/AL, palco de messianismo no século XIX.
- Cinema: Filmes como "O Auto da Compadecida" (2000) e "Abril Despedaçado" (2001) retratam o sertão.

O Sertão Nordestino é, assim, um universo de contrastes: entre a seca e a criatividade, a dor e a poesia, a tradição e a busca por progresso. Sua cultura permanece como um dos pilares da identidade brasileira.

BackLands Novela - Maria Bonita


Set in the sparse frontier settlements of northeastern Brazil--a dry, forbidding, and wild region the size of Texas, known locally as the Sertao--Backlands tells the true story of a group of nomadic outlaws who reigned over the area from about 1922 until 1938. Taking from the rich, admired--and feared--by the poor, they were led by the famously charismatic bandit Lampiao. The gang maintained their influence by fighting off all the police and soldiers the region could muster.

A one-eyed goat rancher who first set out to avenge his father's murder in a lawless land, Lampiao proved to be too good a leader, fighter, and strategist to ever return home again. By 1925 he commanded the biggest gang of outlaws in Brazil. Known to this day as a "prince," Lampiao had everything: brains, money, power, charisma, and luck. Everything but love, until he met Maria Bonita.

"You teach me to make lace, and I'll teach you to make love"--this was the song the bandits marched to, across the vast open reaches of their starkly beautiful backlands, and it was Maria Bonita who made it come true. She was stuck in a loveless marriage when she met Lampiao, but she rode off with him, becoming "Queen of the Bandits." Together the couple--still celebrated folk heroes--would become the country's most wanted figures, protecting their extraordinary freedom through cunning.

Victoria Shorr's stunning literary debut tells Maria's story, her narrative of the intense freedoms, terrors, and sorrows of this chosen life, the end of which is clear to her all along. With the federal government in Rio mobilizing against the bandits, Backlands describes the epic final days of Lampiao's "fatal month," July on the River of Disorder, as the gang struggles to summon their good star to save them one more time.

Tradução 

Ambientado nos escassos assentamentos fronteiriços do nordeste do Brasil — uma região seca, proibida e selvagem do tamanho do Texas, conhecida localmente como Sertão — Backlands conta a história real de um grupo de bandidos nômades que reinaram sobre a área de 1922 a 1938. Tirando dos ricos, admirados — e temidos — pelos pobres, eles eram liderados pelo famoso bandido carismático Lampião. A gangue manteve sua influência lutando contra todos os policiais e soldados que a região conseguia reunir.

Um criador de cabras caolho que primeiro partiu para vingar o assassinato de seu pai em uma terra sem lei, Lampião provou ser um líder, lutador e estrategista bom demais para voltar para casa novamente. Em 1925, ele comandava a maior gangue de bandidos do Brasil. Conhecido até hoje como um "príncipe", Lampião tinha tudo: cérebro, dinheiro, poder, carisma e sorte. Tudo menos amor, até que ele conheceu Maria Bonita.

"Você me ensina a fazer renda, e eu te ensino a fazer amor" — essa era a canção que os bandidos marchavam, através dos vastos confins abertos de suas terras belíssimas, e foi Maria Bonita quem a tornou realidade. Ela estava presa em um casamento sem amor quando conheceu Lampião, mas ela partiu com ele, tornando-se "Rainha dos Bandidos". Juntos, o casal — ainda celebrados heróis populares — se tornariam as figuras mais procuradas do país, protegendo sua extraordinária liberdade por meio da astúcia.

A impressionante estreia literária de Victoria Shorr conta a história de Maria, sua narrativa das intensas liberdades, terrores e tristezas desta vida escolhida, cujo fim está claro para ela o tempo todo. Com o governo federal no Rio se mobilizando contra os bandidos, Backlands descreve os épicos dias finais do "mês fatal" de Lampião, julho no Rio da Desordem, enquanto a gangue luta para invocar sua boa estrela para salvá-los mais uma vez.

domingo, 2 de março de 2025

TRAIÇÃO pela ótica Constitucional

A Constituição Federal do Brasil de 1988 menciona o termo "traição" principalmente em dois contextos: "crimes contra o Estado Democrático de Direito" e "crimes de responsabilidade do Presidente da República". No entanto, a definição específica do crime de traição está detalhada no "Código Penal Brasileiro" (Decreto-Lei nº 2.848/1940). Abaixo, os principais pontos constitucionais relacionados:

1. Traição como Crime contra o Estado (Constituição Federal)  
   - Art. 5º, XLIV: Classifica como crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. Embora não use a palavra "traição", refere-se a atos que ameaçam a soberania nacional.  
   - Art. 85, I: Define como crime de responsabilidade do Presidente da República atos que atentem contra a Constituição Federal, especialmente "o livre exercício dos Poderes da União" ou "a existência da União". Esse dispositivo pode incluir atos de traição, como aliança com potências estrangeiras contra o Brasil.  

2. Perda de Direitos Políticos (Art. 15, III)  
   - Condenação criminal transitada em julgado (incluindo crimes como traição) pode resultar na perda temporária de direitos políticos.  

3. Traição no Código Penal (Art. 356 a 359) 
Embora não esteja na Constituição, o Código Penal define a traição como:  
   - Art. 356: Auxiliar nação estrangeira em guerra contra o Brasil ou prejudicar a defesa nacional.  
   - Art. 359: Tentar submeter o território nacional a domínio estrangeiro.  
   - Penalidades: Reclusão de até 20 anos, variando conforme a gravidade.  

4. Crimes Inafiançáveis e Imprescritíveis (Art. 5º, XLIII e XLIV)  
A Constituição destaca que crimes como terrorismo e ações contra o Estado Democrático são inafiançáveis e imprescritíveis, mas a traição em si segue as regras do Código Penal.  

Conclusão:  
A Constituição não detalha o crime de "traição", mas o enquadra indiretamente como atentado à soberania e à ordem democrática. A definição jurídica está no Código Penal, que tipifica a traição como colaboração com inimigos externos ou ameaça à integridade nacional.

sábado, 1 de março de 2025

Comentários sobre o Artigo "Reminiscências de Maria Bonita" de Raul Meneleu

Comentários sobre o Artigo "Reminiscências de Maria Bonita" de Raul Meneleu
O artigo de Raul Meneleu, publicado em 2020, traz uma contribuição fundamental para a historiografia do cangaço ao abordar a questão da data de nascimento de Maria Bonita, figura emblemática da cultura nordestina. O texto combina rigor metodológico, crítica histórica e uma narrativa envolvente sobre os desafios da pesquisa em fontes primárias no Brasil. Abaixo, destaco os principais pontos de análise:

1. Correção Histórica e Método Científico  
O artigo centra-se na descoberta do pesquisador Voldi de Moura Ribeiro, que, com apoio do padre Celso Anunciação, localizou o registro de batismo de Maria Bonita na Paróquia de São João Batista de Jeremoabo (BA). O documento atesta seu nascimento em 17 de janeiro de 1910, invalidando a data tradicionalmente difundida de 8 de março de 1911. Meneleu ressalta a importância de "fontes primárias" (como o batistério) sobre relatos orais, muitas vezes imprecisos. A crítica a autores que perpetuaram erros sem comprovação documental reforça a necessidade de rigor na pesquisa histórica.

2. Colaboração Interdisciplinar  
A parceria entre Voldi e o padre Celso ilustra como a colaboração entre pesquisadores seculares e instituições religiosas pode revelar dados essenciais. A Igreja Católica, detentora de arquivos históricos, muitas vezes subutilizados, emerge como guardiã de memórias cruciais, ainda que sua conservação seja negligenciada. O artigo aponta para a urgência de políticas de preservação documental, especialmente em regiões onde a história é perpetuada por registros frágeis e esquecidos.

3. Reconhecimento Acadêmico 
Meneleu destaca o aval de nomes consagrados, como Frederico Pernambucano de Melo e Antônio Amaury Correia de Araújo, que revisaram suas posições após a descoberta de Voldi. Esse movimento demonstra a dinâmica saudável da academia, onde revisões são possíveis diante de novas evidências. A menção à correção na segunda edição do livro de Amaury (2012) enfatiza a ética intelectual de reconhecer equívocos.

4. Cultura e Identidade 
A data incorreta de 8 de março, associada ao Dia Internacional da Mulher, revela como mitos podem se sobrepor à realidade por conveniência simbólica. Meneleu critica essa romanticização, defendendo que a história deve priorizar fatos, mesmo que menos "poéticos". A correção não diminui Maria Bonita, mas a reinsere em seu contexto real: uma mulher que morreu aos 28 anos, após uma vida marcada pela violência do cangaço.

5. Desafios da Pesquisa no Brasil
O artigo denuncia a falta de apoio institucional a pesquisadores independentes, que investem recursos próprios para preencher lacunas históricas. A menção à Wikipedia, que ainda reproduz a data equivocada, expõe a lentidão na atualização do conhecimento público. Meneleu faz um apelo implícito para que entidades culturais e digitais (como enciclopédias online) revisem seus conteúdos com base em fontes atualizadas.

6. Perspectivas Futuras  
Meneleu sugere que a descoberta do batistério abre caminho para novas investigações, como a possível indefinição sobre a paternidade de Maria Bonita (já que seu registro menciona apenas a mãe, Maria Joaquina). Além disso, a certidão da irmã Antônia reforça a necessidade de explorar arquivos paroquiais para reconstituir trajetórias familiares e sociais do sertão.

Conclusão
"Reminiscências de Maria Bonita" não é apenas um artigo sobre datas, mas uma reflexão sobre memória, poder e esquecimento. Raul Meneleu celebra a persistência de pesquisadores como Voldi, que desafiam narrativas consolidadas, e alerta para o risco de perdermos fragmentos da história pela negligência com acervos. Ao corrigir o nascimento de Maria Bonita, o texto restaura não apenas uma data, mas a integridade de uma figura que resiste ao apagamento — seja pelo descaso, seja pela mitificação.  

Recomendações:  
- Atualização imediata de verbetes em plataformas como Wikipedia.  
- Digitalização e preservação de arquivos paroquiais.  
- Incentivo a pesquisas interdisciplinares que unam história, sociologia e instituições religiosas.  
- Incorporação das descobertas de Voldi em currículos educacionais e produções culturais.  

Este artigo, assim, serve como um modelo de como a micro-história pode iluminar questões macro: a luta pela preservação da memória em um país onde a cultura muitas vezes é relegada a segundo plano.

A "Geração de Ferro" está partindo

 

A "Geração de Ferro" está partindo para dar passagem à Geração Cristal.


Está partindo a geração que sem estudos educou seus filhos.

Aquela que, apesar da falta de tudo, nunca permitiu que faltasse o indispensável em casa.

Aquela que ensinou valores, começando por amor e respeito.

Estão partindo os que podiam viver com pouco luxo sem se sentir frustrados com isso.

Aqueles que trabalharam desde tenra idade e ensinaram o valor das coisas, não o preço.

Partem os que passaram por mil dificuldades e sem desistir nos ensinaram a viver com dignidade.

Aqueles que depois de uma vida de sacrifícios, agruras e enganações,vão com as mãos enrugadas, mas a testa erguida.

A geração que nos ensinou a viver sem medo está partindo.