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terça-feira, 4 de abril de 2023

Acadêmico ABLAC Raul Meneleu Patrono Câmara Cascudo

 


Raul Meneleu Mascarenhas dos Santos

Cadeira 07 da ABLAC

Patrono Câmara Cascudo 

 

Nascido em Fortaleza, Ceará em 19/03/1951, brasileiro, casado, aposentado da Petrobras, residente na cidade de Aracaju, Sergipe. Fui chamado de Raul por meu pai Francisco Meneleu. O nome origina-se de um grande amigo dele. A honra me foi dada. Nasci no dia de São José, 19 de março de 1951 quando o nordestino do sertão aguarda que chova e até hoje penso que esse deveria ter sido meu nome. Gostaria de ter sido chamado de José.

Zé é a maior honraria para um cristão ser chamado tanto no lar, no trabalho, quanto no grupo de amigos. Zé é o pai de Jesus, que agora entidade de luz zela pela humanidade. E Zé era marido de dona Maria que teve o privilégio de conceber o filho amado de Deus.

Minha mãezinha tinha o nome dela. Quanto privilégio tenho! Mas se não sou Zé, pelo menos minha mãezinha se lembrou de dar esse benigno nome a seu último rebento, José.

Somos descendentes de Deus, não somos? E Deus não nos fez à sua imagem? Taí. na Sua Palavra Sagrada, registrada por homens inspirados pelo poder de seu Espírito. Com o tempo, foram nascendo homens e mulheres até chegarem lá pelo Rio Grande do Norte, onde as famílias Câmara, Jácome e Mascarenhas oriundos de terras portuguesas e espanholas, foram juntadas em miscigenação.

Minha genealogia, feita por meu tio-avô Sebastião Jácome da Câmara, nascido em 20 de janeiro de 1896, escrita de seu punho em 22 de agosto de 1926, relaciona seus pais, Benvenuto Jácome e Dona Izolina Maria da Câmara Jácome e seus irmãos e irmãs, entre eles minha avó da parte de mãe.

Meu avô parte de mãe, chamava-se FRANCISCO DE ASSIS MASCARENHAS FILHO, filho de Francisco de Assis Mascarenhas e Rosa Verbolina de Carvalho. Minha avó chamava-se MARIA ALBERTINA DA CÂMARA JÁCOME, filha do Coronel Benvenuto Jácome e Isolina Maria da Câmara Jácome, citados acima.

Já pela parte de pai, corre um pouco de sangue Holandês, que historiadores registram tal domínio na Capitania de Pernambuco – da qual fazia parte o Rio Grande do Norte – entre 1630-1654.

Sou nascido da mudança de meus pais, de Mossoró para a cidade de Fortaleza de Nossa Senhora D'Assunção, no Ceará. Veja que privilégio?

Nasci e fui criado na capital Alencarina. Menino correndo pela praia de Iracema, a Virgem dos Lábios de Mel e frequentando as Missas do Seminário da Prainha, onde fiz Catecismo onde queria ser padre, onde meu Padim Cícero Romão Batista estudou. Né privilégio?

Sempre fui um curioso aventureiro. Deixei de lado uma bela carreira que me era incutida por meu saudoso pai e amigo e fui correr o mundo. O mundo é que é uma escola. Mas depois de conhecer muitas partes da terra, que sonhava por os pés, aos 30 anos de idade, na cidade do Salvador – BA. Resolvi que tinha de começar a ganhar dinheiro. Já casado, vi que o mundo para ser conquistado teria que fazer muitos esforços. Orientado por um amigo, fiz concurso público e entrei em uma das empresas da Petrobras. Troquei o anel de doutor por uma profissão que me deu o direito de continuar a fazer aventuras. Enfrentei ondas descomunais no campo de petróleo da Bacia de Campos, navegando entre plataformas em pequenos barcos Rebocadores. Voando em helicópteros mar adentro para pousar em enormes navios e plataformas fundeados a 1.200 metros de lâmina d’água. Passei meus anos de vida profissional ativamente e agora estou aposentado. Doido por aventuras continua a viajar pelo mundo. E se o bom Deus do Céu quiser me ajudar mais, aceitarei de bom grado a plenitude de a idade chegar e apenas me lembrar das coisas boas que a vida me deu.

Um Pouco do meu aprendizado:

RAUL MENELEU tem Formação TÉCNICO INDUSTRIAL com Habilitação Profissional TÉCNICO DE MECÂNICA Habilitado na PETROBRAS como TÉCNICO DE MANUTENÇÃO nível Superior registrado no CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E AGRONOMIA – CREA-10439 exercendo capacidade para Detalhar, programar, executar e orientar tecnicamente tarefas de manutenção, de modo permanente, empregando métodos e ferramental adequados; Elaborar estudos e análises técnicas; Exercer a fiscalização técnica, administrativa e gerencial dos contratos de serviços. Elaborar instruções e procedimentos técnicos; Treinar os Mecânicos Especializados, Caldeireiros Especializados, Eletricistas Especializados, Soldadores Especializados, Oficiais de Manutenção Civil especializado e os Técnicos de Instrumentação nos diferentes postos de trabalho;          Executar atividades facilitadoras ou necessárias à execução de suas tarefas principais; Assessorar na elaboração de projetos de melhoria de equipamentos e instalação; Operar instalações e equipamentos segundo padrões técnicos e normas operacionais. Com Conhecimentos de informática e inglês. Com trabalhos realizados em Gerenciamento de Planejamento de Projetos na UN-SEAL/ATP-SM/CONSTRUÇÃO E MONTAGEM no Polo ATALAIA/SERGIPE; Planejamento executivo do projeto do Laboratório de Petróleo e Gás da Universidade Federal de Sergipe em Janeiro; Apoio logístico de construção e montagem de obras e contratos voltados às plataformas marítimas do Polo Atalaia-Aracaju; Delineamento e planejamento de na unidade FAFEN da Petrobras nos anos de 1988, 1992, 1994 e 1996 variando entre 6.000 a 12.000 tarefas; Delineamento e planejamento cotidiano de manutenções preventivas, preditivas e corretivas na unidade FAFEN da Petrobrás nas unidades de fabricação de amônia e ureia; Fiscalização de equipes de PULL-IN e PULL-OUT nas unidades de produção da Bacia de Campos; Fiscalização de construções, montagens e manutenções corretivas da unidade de produção da Bacia de Campos plataforma navio P-33; Fiscalização de construções, montagens e manutenções corretivas da unidade de produção da Bacia de Campos plataforma P-27; Fiscalização de construções, montagens e manutenções corretivas da unidade de produção da Bacia de Campos plataforma P-26; Gerenciamento de duas paradas de produção da unidade de produção da Bacia de Campos plataforma P-19;         Gerenciamento de duas paradas de produção da unidade de produção da Bacia de Campos plataforma P-26.

CURSOS EFETUADOS na área Gerencial/Supervisão

GERENCIAMENTO DE DESEMPENHO: DS-BÁSICO - DIMENSÃO PESSOA; SISTEMA DE INFORMAÇÃO GERENCIAL; DESENVOLVIMENTO DE EQUIPE; PESQUISANDO AS DIRETRIZES DE GESTÃO; SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO; SEGUNDA SEÇÃO TÉCNICA DE GERENCIA DE PROJETO DA UN-BC/ATP-MRL/ISUP; IV SEMINÁRIO DE GERÊNCIA DE PROJETOS DA UN-BC/ATP-MRL/ISUP; ORÇAMENTAÇÃO; REENGENHARIA HUMANA; FORTALECIMENTO DE EQUIPE E COORDENAÇÃO; OBTENÇÃO E APRIMORAMENTO DA QUALIDADE ATRAVÉS DA MOTIVAÇÃO DAS PESSOAS; ENGENHARIA DE CONFIABILIDADE E SEGURANÇA; DESENVOLVIMENTO DE SUPERVISORES.

CURSOS na área técnica:

BÁSICO DE POLÍMEROS; NR-13; BÁSICO DE CORROSÃO; ULTRASSOM AUTOMATIZADO; TRAÇADO DE CALDEIRARIA; TUBULAÇÕES INDUSTRIAIS – MONTAGEM; PROCESSO DAS UNIDADES INDUSTRIAIS (AMÔNIA); LUBRIFICANTES E LUBRIFICAÇÃO; TURBINAS A VAPOR I e II; INSTRUTOR DE TREINAMENTO OPERACIONAL; INTRODUÇÃO A HIDRÁULICA; TECNOLOGIA DE ROLAMENTOS; INTRODUÇÃO À INSTRUMENTAÇÃO PNEUMÁTICA; ORGANIZAÇÃO E MÉTODOS.

CURSOS na área de informática, planejamento e projetos:

TÉCNICAS DE PLANEJAMENTO DE MICROSOFT PROJECT; PLANEJAMENTO DE MANUTENÇÃO; CONSCIENTIZAÇÃO PARA A QUALIDADE TOTAL; SISTEMA DA QUALIDADE; PLANEJAMENTO E CONTROLE DE PRODUÇÃO NA MANUTENÇÃO; PLANEJAMENTO DA MANUTENÇÃO; SISTEMA DE MATERIAIS; PROGRAMAÇÃO E CONTROLE DE MANUTENÇÃO; INSTRUTOR DE TREINAMENTO OPERACIONAL; PESQUISANDO DOCUMENTOS NO SINDOTEC; VISUAL BASIC AVANÇADO COM UTILIZAÇÃO DO RDB/VMS ATRAVÉS DO ODBC EM REDE PATHWORKS; VISUAL BASIC E UTILIZAÇÃO DO RDB/VMS ATRAVÉS DO ODBC EM AMBIENTE DE REDES PATHWORKS; MICROSOFT PROJECT (4.0) RECURSOS AVANÇADOS; EXCEL AVANÇADO EM AMBIENTE DE REDES PATHWORKS E ACESSO AO VMS VIA ODBC; ACCESS AVANÇADO EM AMBIENTE DE REDES PATHWORKS E ACESSO AO RDB/VMS VIA ODBC; EXCEL EM AMBIENTE DE REDES PATHWORKS E ACESSO AO RDB/VMS VIA ODBC; INTRODUÇÃO AO TEAMLINKS; ACCESS EM AMBIENTE DE REDES PATH WORKS; MODELAGEM DE DADOS; EXCEL BÁSICO; WORD FOR WINDOWS; WINDOWS BÁSICO; SUPER PROJECT EXPERT - RECURSOS BÁSICOS E TÉCNICAS AVANÇADAS; ORGANIZAÇÃO E MÉTODOS.

Com cursos na Área de Segurança e Saúde Ocupacional:

PROJETO SURVIVAL – Técnicas de Sobrevivência Pessoal e Proficiência em Embarcação de Sobrevivência, Embarcação de Salvamento, Embarcação Rápida de Salvamento; PRIMEIROS SOCORROS; EDUCAÇÃO AMBIENTAL; RECICLAGEM EM COMBATE A INCÊNDIO; SMS – SENSIBILIZAÇÃO; MAPEAMENTO DE RISCO; CURSO PARA COMPONENTES DA CIPA; PRIMEIROS SOCORROS; SEGURANÇA BÁSICA.

 

Apresentação do Patrono Câmara Cascudo – Cadeira 7

Perguntaram-me:

Por que escolheste Câmara Cascuda para ser o teu Patrono da Academia Brasileira de Letras e artes do Cangaço?


Sei o porquê da pergunta de meus amigos. Respondo que, foi o maior folclorista que o país tem em sua história. E também porque sou membro da família, já que sou descendente também dos Câmara do Rio Grande do Norte.  Seus pensamentos políticos não podem prevalecer sobre a cultura e contribuição histórica.

Câmara Cascudo foi monarquista nas primeiras décadas do século XX e durante a década de 1930 combateu a crescente influência marxista no Brasil. Também combateu, em parte, sob a impressão causada pela assim chamada Intentona Comunista de 1935, quando Natal foi palco e sede da primeira tentativa de um governo fundado nas ideias marxistas da América Latina, e meu querido Amigo e Pai FRANCISCO MENELEU DOS SANTOS, com a idade de 18 anos tomou parte por paginar o jornal da revolução A LIBERDADE e por conta disso, ficou preso por 6,5 anos.

Como pôde o filho do comunista escolher Cascudo que aderiu ao integralismo brasileiro e foi membro destacado e Chefe Regional da Ação Integralista Brasileira, o movimento nacionalista encabeçado por Plínio Salgado?

Respondo novamente com a palavra CULTURA.

Posso também dizer que ele desencantou-se rapidamente com o Integralismo, tal como outro famoso ex-integralista, Dom Hélder Câmara, que sempre admirei.

Assim como Dom Hélder, Câmara Cascudo mesmo fiel ao seu pensamento anticomunista, no Golpe Militar de 1964, protegeu e ajudou diversos potiguares perseguidos pelos militares.

Na minha experiência de vida não comporta mais ideologia, nem fé religiosa, nem lado, a não ser querer que sejamos e estejamos em uma sociedade onde não existam desníveis estupidamente altos.

O Patrono da Cadeira Sete da ABLAC Luís da Câmara Cascudo, foi um historiador, antropólogo, advogado e jornalista brasileiro. Passou toda a sua vida em Natal, capital do Rio Grande do Norte, onde nasceu em 30 de dezembro de 1898 e veio a faleceu em 30 de julho de 1986 (87 anos). Dedicou-se ao estudo da cultura brasileira. Foi professor da Faculdade de Direito de Natal, hoje Curso de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), cujo Instituto de Antropologia leva seu nome. Pesquisador das manifestações culturais brasileiras deixou uma extensa obra, inclusive o Dicionário do Folclore Brasileiro.

 




OBRAS DO ACADÊMICO RAUL MENELEU MASCARENHAS DOS SANTOS

 


QUADRANTE 45
- Uma história no tempo.

Romance de ficção envolvendo um retorno ao passado por um casal de Paleontólogos que encontram Lampião e seu bando na Grota do Angico, local em que foram mortos.




O OCASO DO CANGAÇO

Como Avoantes dormindo, foram mortos.

Comentários de jornais da época.




CANGACEIROS ENVULTADOS

Histórias da tradição oral sertaneja a respeito dos encantamentos atribuídos aos cangaceiros e principalmente das façanhas de Lampião envolvendo o tema.




CRÔNICAS DO CANGAÇO

A vida é efêmera e todos nós sabemos disso. Acontece conosco aquilo que o velho adágio popular diz: “Quem planta ventos, colhe tempestade" e outro que diz "Colhemos o que plantamos". Isso aconteceu com Lampião.




A GUERRA DE CANUDOS

Quando os soldados se reuniram em Monte Santo, segundo

Euclides da Cunha, a cidade tomou ares de festa. Barracas militares, centenas de forasteiros: "Tudo aquilo era uma novidade estupenda".




O CANGAÇO

Aventuras na História. - Coletânea de reportagens da imprensa e artigos.




DIMENSÕES – POESIAS -
Coletânea de poemas de amigos.

As poesias incrustadas no livro, vem recheado com menções políticas, amor às mulheres, descaso com o sertanejo e o descaso das autoridades.




HISTORINHAS KID

Feito para minhas duas netinhas Alícia e Laura, onde com historinhas infantis, realço a cidadania, a educação, a família e o humanismo.


LAMPIÃO - Nordeste, Coronéis, Capangas e Jagunços. No livro apresento dentro do assunto, comentários e textos dos autores indicados na bibliografia e narro partes de minhas pesquisas feitas em campo e reuniões anuais de historiadores e escritores nos encontros da Confraria do Cariri Cangaço.

 

CANAL YOUTUBE com mais de 250 documentários presenciais ou não. Incluindo palestras e eventos específicos sobre o cangaço e registros de visitas a locais onde  ocorreram combates entre as volantes e cangaceiros.

https://www.youtube.com/channel/UCV3fKGLnhbKXG4xYniFlK6w

 

BLOG CAIÇARA DOS RIOS DOS VENTOS. Blog com mais de 500 artigos escritos em uma variedade de assuntos. Dentre estes cerca de 200 sobre o cangaço e questões do nordeste.

https://meneleu.blogspot.com/


domingo, 26 de fevereiro de 2023

ESTATÍSTICA DOS PERSONAGENS DA SAGA CANGAÇO


ESTATÍSTICA DOS PERSONAGENS DA SAGA CANGAÇO.*
Por Raul Meneleu

Por que os matadores de Lampião e os que comandaram três volantes, que o mataram, não são tão famosos como ele?
Por que esses não são tão falados nos livros de cangaço?
Agora me respondam: por que nenhum desses não são tão famosos como aquele que perseguiram?
Vejam esta estatística feita em 13 de julho de 2020:

·      O nome “Cangaceiro Lampião” tem aproximadamente 35.200 resultados na plataforma de busca Google.
·      Quando associamos “Lampião e Maria Bonita” temos aproximadamente 523.000 resultados.

·      Somente "Cangaceira Maria Bonita" temos aproximadamente 5.700 resultados.

·      Já o nome “Cangaceira Dadá”, existem aproximadamente 1.480 resultados.

·      O “Cangaceiro Corisco” tem aproximadamente 8.360 resultados.

Convenhamos que tanto Dadá quanto Zé Rufino, viveram bastante para contarem suas histórias.
Mas nenhum deles chegou individualmente a resultados como o de Lampião e Corisco, que morreram respectivamente em 1938 e 1940.
Já “Cangaceira Maria Bonita” tem 5.700 resultados e “Cangaceira Dadá” 1.480 citações. Maria Bonita morreu com 27 anos e Dadá com 78 anos.




Agora vejamos a pesquisa com os perseguidores de Lampião:
·      “Coronel Manoel Neto” aproximadamente 698 resultados, viveu 78 anos.

·      “Zé Saturnino” aproximadamente 9.720 resultados. Mas convenhamos que apenas esse nome pode abranger outros homônimos.


·      Já o nome “Tenente Zé Rufino”, encontramos 3.060 resultados.


·      “Tenente Davi Jurubeba” aproximadamente 129 resultados.

·      “Neco de Pautília” aproximadamente 2.590 resultados. Morreu aos 101 anos.



·      “Tenente João Gomes de Lira”, morreu em 2011 aos 98 anos, 3.730 resultados.


·      “Tenente João Bezerra” com  aproximadamente 6.450 resultados foi o comandante da Volante que matou Lampião na Grota do Angico em 1938 e viveu até os 72 anos, falecendo em 1970.


“A iconografia produzida por Benjamin – registros fotográficos e filme – não são a única sobre o cangaço, mas por sua extensão contribuiu enormemente para o conhecimento da história dos cangaceiros no Brasil. É uma comprovação visual da marcante estética dos bandoleiros da caatinga e os trouxe para os jornais e à imaginação popular. Logo os personagens do cangaço passaram a protagonizar lendas do sertão, canções e cordéis populares e, apesar de sua violência, Lampião tornou-se, para muitos, uma espécie de mártir dos oprimidos. As notícias chamavam atenção ou para a crueldade dos cangaceiros ou a sua bravura. Seriam bandidos ou heróis?” – Fonte: Brasiliana.

·      *Pesquisa efetuada no site de buscas Google em 13 de julho de 2020.

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Grimório do Cangaço.

Estava eu em São Salvador na Bahia, visitando alguns sebos1 na região do Pelourinho2 em busca de livros raros da literatura do cangaço, quando uma pessoa chegou-se a mim e falando num sussurro disse-me que sabia onde existia um livro muito raro sobre o cangaço e que eu por certo nem sabia que existia assim como a maioria dos amantes da saga.
Me afastei um pouco daquele indivíduo lúgubre que me falava por sussurros, achando muito suspeito pois sabia da fama daquela localidade na cidade. Claro que fiquei curioso e perguntei-lhe onde seria que encontraria tal livro e qual o título do mesmo. Ele vendo meu receio quanto à pessoa dele foi saindo andando rápido e dizendo que eu o seguisse até um pouco à frente.
Minha curiosidade foi tamanha que mesmo com receio o segui até mais na frente, onde ele tinha parado. Ele respondeu que teria de ter cuidado pois iria revelar um grande segredo que estava escondido a muito tempo. E aguardei que me dissesse o nome do livro. Ele sussurrando falou tão baixo que tive de ter coragem para chegar mais perto dele para ouvir suas palavras ditas com grande dificuldade, o livro disse ele chama-se Grimório do Cangaço.
Fiquei estupefato pois nunca tinha ouvido falar de tal livro. Perguntei-lhe onde o encontraria e ele me disse que poderia me levar ao Sebo mas tinha um porém: eu deveria encontrar com ele, sozinho, ao meio dia seguinte na ladeira da Misericórdia no  13  e perguntou-me se eu sabia onde ficava.
Fiquei atarantado com aquela proposta que vi ser um tremendo golpe e ele como se lesse meus pensamentos disse-me:
  • Chefia... não é golpe! Acontece que nem o proprietário e nem ninguém sabe, a não ser eu, onde está esse livro. E outra, fui mandado ao senhor, pois o ex-cangaceiro que me mandou, disse-me que o amigo é pessoa de mente aberta.
Eu depois de avaliar aquela situação disse que sabia onde era a ladeira e que estaria lá ao meio dia. Mas que ele me dissesse quem foi o ex-cangaceiro que tinha lhe dado essa missão.  E ele prontamente me disse que tinha sido um, chamado de Virgilino e perguntou-me se o conhecia da literatura. Mentalmente repassei as páginas dos dois livros dicionários que existem da história do cangaço, dos autores Renato Bandeira e Bismarck Martins de Oliveira e não encontrei esse cangaceiro. Cos diachos! O impropério veio sem querer e pensei: homi será que foi a alma de Virgolino? E esse homem escutou Virgilino? E arrematei comigo: Ora, que besteira estou pensando!

A Ladeira da Misericórdia
Pois bem amigos, dia seguinte eu estava no local indicado. Local isolado, sem vivalma na inteira ladeira me causava receio de um assalto. E pra f⁹alar a verdade, era fantasmagórico também.  Mas felizmente na hora marcada vi o sujeito chegar. Parecia que ao andar, não tocava no chão. Vinha de maneira sobrenatural, flutuando em minha direção. Senti um calafrio e fiquei deveras com tanto receio que palpitações ficaram insuportáveis em meu peito, parecendo que meu coração iria pular para fora de meu corpo.
  • Boa tarde amigo! Disse o sujeito.
  • Boa tarde senhor! Disse eu.

E estávamos os dois em frente ao número 13 da Ladeira da Misericórdia. O local não denotava que era um comércio de livros usados. Achei aquilo tudo muito estranho.  Mas ele disse: vamos entrar. E empurrando a porta esta abriu com um enorme rugido de dobradiças enferrujadas pelo tempo. Fomos entrando e na grande sala da frente vi de imediato que não tinha nada dentro.  Ele continuou a andar para uma porta lateral da sala e eu com muito receio indo atrás dele. O corredor era longo e estreito e à nossa direita, no final do corredor tinha outra entrada para outra sala. Quando entramos vi no centro dela uma enorme escada de madeira em estilo antigo. Subimos e no andar superior descortinou uma belíssima biblioteca que de imediato me veio a lembrança de estar numa antiga livraria da cidade do Porto, em Portugal, por nome de Lelo, que tive o prazer de conhecer.
Fiquei pasmo por essas lembranças que como um passe de mágica, passei a visualizar a livraria naque local. Olhei pra cima e vi no teto uma pintura lindíssima com imagens santas.
O local era mágico e impressionante. Um burburinho de vozes se misturava à música de um realejo tocado por um  bruxo cigano que eu tinha visto próximo da entrada da livraria.

1 - Livraria de livros usados
2 - Local da cidade alta onde na época da escravidão os negros recebiam castigos.
IDEIAS SOBRENATURAIS
Agora, alimentem-se. Bebam tudo. Saciem-se.
Até enxergarem o que nós já conseguimos ver de tão mágico e incrível nestas terras secas e escuras.

Achei que você gostaria de ver esta pasta no Pinterest: https://pin.it/2MXNcnB

terça-feira, 1 de março de 2022

O Cangaceiro do bem


José Grosso

Entre as suas supostas diversas encarnações, teria vivido na Germânia como Johannes, quando teve muito poder e autoridade era místico, rígido e disciplinado. Desencarnou por volta do ano 751.

Reencarnou na Holanda e como Adido Diplomático conviveu com a classe alta holandesa e com a corte de Francisco I, rei da França. Segundo informações da espiritualidade, consta que Jair Soares (diretor mediúnico de núcleo espírita já desencarnado) foi o Rei Francisco I. Com essa informação, fica explicada a grande ligação entre os dois. Nesse período, José Grosso conquistou grandes amizades através de suas atividades diplomáticas.

No ano de 1896, em território brasileiro, nos recantos áridos do Ceará, em pequeno lugarejo próximo a Crato nasceu como José da Silva, tendo como pais Gerônimo e Francisca, pais de outros 8 filhos. No princípio da década de 1930, os rumores invadiram toda a vastidão do sofrido Nordeste. Miséria, seca, sofrimentos, falta de tudo nessa época alguns homens se apropriaram dos bens dos ricos para distribuí-los aos pobres, isso empolgou muito o coração de José da Silva que em seu íntimo sonhava, como de resto todos os sertanejos nordestinos,  com uma terra de paz, sem fome e com a justiça amparando também os pobres e fracos. Essa turba de homens tinha como chefe Lampião. Animado por esses anseios, se integra ao grupo, por ocasião de sua passagem pela região de Orós (hoje município do estado do Ceará).

Mas, com a convivência com o bando, José da Silva, então conhecido como José Grosso,  percebeu que eles extrapolavam nas suas aspirações. Em desacordo com as atitudes do grupo mudou seu comportamento, apesar de não delatar os companheiros de bando às autoridades policiais, passou a alertar as cidades que seriam invadidas para que as pessoas (especialmente mulheres e crianças) não fossem violentadas e assassinadas. Esse comportamento levou Lampião a perfurar-lhe os olhos com uma faca, vingando-se da traição sofrida. José Grosso perdido na mata com infecção generalizada desencarnou em 1936 aos 40 anos de idade sem ter notícia alguma de sete dos seus irmãos. Conhecia apenas o paradeiro de um único irmão, que hoje conhecemos como Palminha (também mentor espiritual da Fraternidade) – e que na época vivia o mesmo tipo de vida, mas pertencendo a outro grupo.

Afirma-se que após o seu desencarne esteve algum tempo vagando em cegueira no plano espiritual sendo amparado pelo espírito Nina Arueira. Ficou por longos anos sob a orientação do Espírito Sheilla e de Joseph Gleber, que tiveram vínculos com ele na Germânia, e também sob a orientação do Espírito Glacus.

Em 1949, acontece sua sua primeira manifestação no  Centro Espírita Oriente e na casa de Jair Soares. Teria então afirmado ser “folha caída dos ventos do Norte”. Também levado por Scheilla e Joseph começou a manifestar-se no Grupo Espírita André Luiz, no Rio de Janeiro, através de alguns médiuns principalmente através do extraordinário médium de efeitos físicos conhecido como Peixotinho (Francisco Peixoto Lins).

Desde então o Espírito José Grosso, o “cangaceiro do bem”, vem cooperando em reuniões de efeitos físicos e também junto a vários movimentos espíritas integrando as hostes espirituais onde transitam outros espíritos benfazejos que viveram no sofrido.

Espírito de muito sentimento e muito amigo é dedicado orientador na FEIG como mentor espiritual da tarefa da Sopa e da Creche Irmão José Grosso, na Fundação Espírita Irmão Glacus

Adaptação de relato feito pelo médium Ênio Wendling em reunião mediúnica


Vejam essa mensagem dele no YouTube 


Mensagem Espírito José Grosso


quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Zimbório do Senhor do Padrão

Zimbório do Senhor do Padrão
Classificado como Monumento Nacional desde 1971, o "Senhor do Padrão" assinala o
local onde, segundo a lenda, teria dado à costa, em 3 de maio do ano 124, a imagem do Bom Jesus de Matosinhos.

Local certamente assinalado desde épocas remotas, no entanto em data posterior a 1758 que se edificou o zimbório que hoje  podemos contemplar conforme foto abaixo.
Conhecido também por "Senhor da Areia", tal designação resulta do fato de, até ao inicio do século XX, este monumento se encontrar totalmente isolado e escondido no meio de um vasto areal, possuindo por isso um fortissimo impacto visual. 

O aparecimento miraculoso de uma fonte de água doce neste local, em 1733, deu origem à construção menor, que podemos observar na foto abaixo junto ao zimbório.
Veja no mapa Google 
https://maps.app.goo.gl/vz6AkyukhNDTJF5a9

sábado, 4 de dezembro de 2021

ANTIGA CADEIA DA RELAÇÃO onde Zé do Telhado e Camilo Castelo Branco ficaram presos.

Cidade do PORTO - PORTUGAL
                Antiga cadeia da Relação
                  Foto de Quinha Flor

O edificio onde se encontra atualmente o Centro Português de Fotografia começou a ser construído em 1767, sob risco do arquiteto Eugénio dos Santos e Carvalho.
O grandioso imóvel veio a alojar o Tribunal e a Cadeia da Relação.
No espaço destinado à Cadeia, as áreas de detenção distribuiam-se da seguinte forma:

PRIMEIRO PISO
                        Foto de Quinha.Flor

Onde situavam-se as enxovias (Santa Ana, Senhor de Matosinhos, Santa Teresa e enxovia de Santo Antônio), lajeadas de granito, escuras, húmidas e frigidíssimas, com acesso apenas por alçapões situados no andar superior.

                    Enxovia de Santa Ana
                      Foto de Quinha.Flor 

SEGUNDO PISO
                    Foto de Quinha.Flor 
Onde situavam-se os Salões, espaços também coletivos, mas mais salubres.

TERCEIRO PISO
                   Foto de Quinha.Flor 
Onde ficavam os quartos de Malta, concebidos como prisões individuais para
"pessoas de condições".

A distribuição dos presos por estes espaços
obedecia a criterios que deviam ter em conta o tipo de crime cometido, o estatuto social do detido e a capacidade para pagar a carceragem.
Para além destas áreas, a cadeia dispunha ainda da "capela dos presos", uma estrutura em madeira, adossada à parede do saguão principal, onde era celebrada a missa.
                     Foto de Quinha.Flor 

O saguão principal, concebido para iluminação e arejamento da área prisional, viria a tornar-se, em 1862, com a criação do pátio dos presos, numa zona vital para o quotidiano do estabelecimento.
Com esse objetivo foi inutilizado um enorme
tanque ali existente e foram transformadas as janelas das enxovias em portas de acesso
O conceito de prisão penitenciária do séc. XIX entrou, desde logo, em conflito com esta velha prisão setecentista. Por soluções construtivas e infraestruturas deficientes, aliadas à incapacidade do Estado para fazer obras, o edificio foi-se arruinando. Paralelamente, por impossibilidade
arquitetónica, não sofreu intervenções de fundo. Todas as adaptações realizadas, nomeadamente as que ocorreram já no século XX, depois da saida do Tribunal para outro edificio em 1937, foram feitas em condições precaríssimas, com orçamentos minimos, tendo sempre em mente a transferência para um novo estabelecimento prisional há muito projetado para o Porto.
Em Abril de 1974, alguns dias depois da Revolução, o edificio foi desativado por razões de segurança,sendo os presos transteridos para o Estabelecimento Prisional em Custóias.
A velha cadeia, subsistiria, assim, cerca de
duzentos anos em atividade, mantendo-se como exemplar ùnico da arquitetura judicial/prisional dos finais do Antigo Regime.
A partir de 1987, o edificio, cedido pela Direção Geral do Património do Estado ao IPPC sofreu um  conjunto de intervenções para suster o seu estado de degradação. 
Em 1989 foi adjudicado o projeto
de recuperação e remodelaçăo ao Arquiteto  Humberto Vieira e ao Gabinete de Onganização e Projetos, Ld.a. 
Em 2000 foi iniciada uma última intervenção
de adequação às novas funcionalidades - de
Centro Portuguès de Fotografia, cujo projeto se deveu aos Arquitetos. Eduardo Souto Moura e Humberto Vieira.

A obra da Cadeia e Tribunal da Relação teve início em 1765, por ordem de João de Almada e Melo.
Eugénio dos Santos, um dos mais conceituados técnicos ao serviço do Marquês de Pombal, foi o autor do projeto, em estilo neoclássico. Com a sua forma estranha, devido ao espaço então
disponivel entre o Convento dos beneditinos e a muralha medieval, foi um dos edifícios mais imponentes construidos na época.
Nesta cela esteve preso o escritor Camilo Castelo Branco, que inspirado pelas circunstâncias, veio a criar sua grande obra MEMÓRIAS DO CÁRCERE.

O LUGAR
O lugar é o campo do Olival, a margem norte do burgo ao longo do Antigo Regime; campo que se que queria aberto, de esparsas oliveiras, para facilitar a vigilância militar das guarnições da Porta da muralha.
Só com relutância o Senado da cidade aceitaria o plantio das árvores que iriam definir o primeiro jardim público, no inicio do século XVII.

É um lugar maldito. Aí se estendia, logo à saida da Porta, o cemitério dos enforcados, deslocado depois, com a construção da Torre dos Clérigos, para a outra ponta do
ermo, que iria ser coberto pelas fundações do novo hospital da Misericórdia, - de Santo Antônio.
Ai, à esquerda do Campo, precisamente onde ficaria, dentro de muros, a Casa da Relação, se queimaram até aos alicerces as 4 sinagogas, as lojas e as habitações dos
judeus, quando da sua expulsão dos finais do século XV.

O edificio do século XVIII, indefinidamente pombalino, constrói-se sobre os fundamentos do antigo, mas ocupando uma maior superficie e revelando já dispositivos de controle e vigilância caracteristicos das instituições da sociedade disciplinar. O olhar
geométrico da nova ordem, aqui preciosamente triangular, enquadra a praça do Olival, um rectângulo vazio, através de duas filas de grossos álamos, que as plantas reconstituem.
Hão de começar a dita obra pela casa que foi da Relação Velha, correndo até à rua chamada da Victória ou de São Bento, e daí pela dita rua acima até ao chafariz, ... e depois para se fazer a casa para o
despacho, e concluidos que sejam os ditos dois lados, se continuará a obra para a parte que fica olhando para o muro.

          Contrato de arrematação da obra


Denominação, qualidade e capacidade das celas

Ordem Superior ou Quartos de Malta
N° 1 a 10 são todas iguais em qualidade, mas não em capacidade e podem conter até 30 presos. Há mais um quarto escuro, que serve para comunicação nocturna de
casados (visitas íntimas).
Essas celas foram usadas para altos cargos tais como Clérigos, Oficiais Militares, Empregados Superiores na ordem judicial e administração e de Fazenda, Delegados e outras pessoas de distinta consideração social por família, riqueza ou emprego. Por todas os crimes à excepção de roubo,
receptador d'eles, assassinato por dinheiro, fabricação de moeda falsa, falsificação de letras, notas de Bancos, ou Titulos do Estado, bancarrota fraudulenta e outros
crimes, que na opinião pública são notados d'infamia.

Enfermaria para homens e outra de mulheres. 
Fornecidas pela Misericórdia, para todas as pessoas, independente de classe social.

Ordem inferior ou Salões
Salão das dores com seis janelas pelos dois  lados. Porta e janela com grades para os corredores. Bem arejado e o melhor. Podia conter até 60 presos.
Para as pessoas da ordem superior pelos crimes exceptuados d'esta, para Sub Delegados; Escrivāes e empregados nas secretarias da Administração Pública, ou de
Fezenda; Negociantes de pequeno trato; Mestres proprietarios de oficinas; Lavradores vestidos com decência e outras pessoas d'alguma consideração social, e prezos
por correção que não fossem da baixa plebe. Por todas os crimes, à exceção quanto às pessoas que não pertencem à ordem superior, dos crimes excetos d'esta.

Salão do Carmo com duas janelas para um lado da rua.
Porta de grades e janela tambem de grades para os corredores. Pode conter até 40 presos. Sendo saudavel e melhor depois dos acima.

Salão de S.José - com seis janelas para dois lados da rua. 
Porta sem grades e duas janelas com tais para os corredores.
Podia conter até 80 presos.