Refletindo sobre os 86 anos de fundação do Partido Comunista do Brasil veio à memória, velhos e queridos camaradas que não estão mais entre nós. São operários, funcionários públicos, profissionais liberais e intelectuais que se doaram as lutas do nosso povo.
Pensei como prestar uma homenagem ao PCdoB nos seus 86 anos de existência, resolvi registrar alguns nomes que militaram nos seus quadros, nomes que tive o privilegio de conhecer e, com alguns manter fraternos laços de uma amizade galgada na afinidade de ideais, na visão marxista de um mundo justo e fraterno.
Começo pela a figura admirável de Luiz Maranhão Filho. Iniciando a militância política, eu, acompanhado do mano Franklin Capistrano, vez por outra visitei o apartamento de Luiz, na Avenida Rio Branco, onde funcionava, também, o consultório de sua esposa. Ele, apesar de pessoa importante na cidade, advogado, professor, deputado estadual, irmão do prefeito Djalma Maranhão, era uma figura atenciosa.
Homem simples, comprometido com as suas idéias, habilidoso no trato com os diversos segmentos da sociedade. Defensor da aliança entre comunistas e cristãos, trabalhou, até ser preso e assassinado em 1972, para concretizar essa união. Aqui em Natal, Luiz fez de tudo, jornalismo, magistério, teatro, política, participava dos movimentos populares, sempre atendo aos acontecimentos, era uma figura muito preparada, um intelectual, formulador de idéias, respeitado no partido e na sociedade. Quem desejar conhecer, essa personalidade da vida política potiguar, recomendo o trabalho de Maria Conceição Pinto de Góes, “A aposta de Luiz Ignácio Maranhão Filho: cristão e comunistas na construção da utopia”, Editora Revan, 1999. É um belo livro, indispensável para quem desejar conhecer a historia e as idéias dessa figura que se transformou em um mártir das lutas do nosso povo.
Lourival de Góes, chamado pelos amigos de Companheiro, é outro comunista, que eu não poderia deixar de registrar. Entrou no partido nos anos cinqüenta, militou em outros estados, retornando a Mossoró nos anos setenta. É a partir daí que faço amizade com ele. Góes foi um dos melhores quadros do partido que eu conheci, com um conhecimento teórico e uma visão prática de fazer inveja a muitos doutores, eu gostava de conversar com ele, era uma verdadeira aula de marxismo. Ele muito pragmático, cumpridor dos deveres partidário, uma decisão do partido era para ser cumprida. O advogado e professor David de Medeiros Leite, organizou uma coletânea com artigos de amigos de Lourival de Góes, com o titulo “Companheiro Góes, 10 anos de saudades”, é um excelente trabalho sobre essa formidável figura humana. Lourival de Góes merece todas as homenagens dos seus amigos, merece ser sempre lembrando.
Zé de Rosa, ou Zé Moreira, personagem emblemática do movimento sindical e das lutas operarias no Rio Grande do Norte. Trabalhador da construção civil ufanava-se de ter a carteira de Nº 2 do seu sindicato, foi o segundo a filiar-se no Sindicato da Construção Civil de Mossoró. Moreira, no inicio dos anos sessenta, viajou pelo Leste Europeu, esteve em Moscou. Orgulhava-se do que viu, gostava de contar histórias dessa viagem. Lutou pelo socialismo até o fim da vida. Eu sempre conversava com ele, nos domingos à tarde ele gostava de passa na minha casa. Era um bom papo, história das lutas populares, história dos velhos militantes, história do seu querido Partido, historia de sua viagem a União Soviética. Moreira, com o golpe militar de 1964, foi preso, continuo firme com as suas idéias, nunca abandonou o partido, militou por mais de sessenta anos, morreu comunista, certo da justeza da sua luta. A professora Brasília Ferreira tem um trabalho sobre as lutas operárias na região salineira que trás um depoimento dessa grande comunista em Mossoró. Quem quiser conhecer mais sobre ele, essa é uma boa fonte.
Chico Guilherme, homem que marcou época nas lutas dos operários das salinas na região de Mossoró, foi um dos organizadores do Sindicado do Garrancho, presidente do Sindicato dos Salineiros, liderança forte e carismática dos trabalhadores das salinas. Comunista de primeira linha. Muito procurado por estudantes e pesquisadores das lutas operárias e sociais do Brasil para prestar o seu depoimento, contar a sua história. Seu Chico é citado no livro “Memórias do Cárcere” de Graciliano Ramos, como um dos seus companheiros de prisão na Ilha Grande. A Uern concedeu-lhe o titulo de Doutor Honoris Causas, uma merecida homenagem a um velho combatente comunista que soube honrar as suas idéias até o último dia da sua longa e bela vida, exemplo de luta e amor ao próximo. O livro “Sindicato do Garrancho” de Brasília Ferreira é uma boa fonte para quem quer conhecer mais e melhor esse velho e bom camarada.
Vivaldo Dantas, um industrial comunista. Quantas reuniões eu participei em sua residência! Inúmeras. Canário, Moreira, Góes, Pretextato, Joel Paulista, Zé Gago, João Batista Xavier, Gonzaga Chimbinho, Alberto, Hermano Paiva, Gileno Guanabara, Afrânio, Paulo Linhares e outros que a memória no momento não lembra. Vivaldo era um homem disposto, sempre pronto a servir as ordens do partido, época do centralismo democrático, ordens vindas de cima, não se discuti, cumprisse. Contam que Vivaldo instigava os seus operários a fazerem greve, quem não fizesse levava um relar do patrão. Era uma figura, com a crise do socialismo nos anos oitenta filiou-se ao PT.
Álirio Guerra, dirigente comunista falecido prematuramente em um desastre automobilístico em plena atividade do Partido, construía o PCdoB juntamente com outro saudoso camarada morto no mesmo trágico acidente, Glênio Sá. Não tive o privilegio de conhecer-los mais de perto, conhecia ambos, mas, sem aquela amizade que pudesse estreitar as nossas afinidades ideológicas, são dois nomes que engrandecem a galeria dos comunistas potiguares e que merecem sempre serem lembrados.
Não podia deixar de registrar, nessa simples homenagem, a família Reginaldo, fundadores em Mossoró do PCdoB. Em especial, registrar os nomes de Raimundo, Francisca, Jonas e Lauro Reginaldo baluartes na construção do Partido Comunista, na terra do sal e do petróleo. Eles foram os fundadores do PCdoB em Mossoró, fato ocorrido no final dos anos 20, do século passado. A família Reginaldo merece um estudo completo pela participação na luta da classe trabalhadora, principalmente, na criação do PCdoB, inclusive, um dos seus membros, Lauro Reginaldo (Bangu), chegando a direção nacional do Partido.
Outro nome que faço questão de citar é a do gráfico areia-branquense, Francisco Meneleu, responsável pela impressão, durante o levante comunista de 1935, do jornal revolucionário, “A Liberdade”. Meneleu faleceu recentemente. A última vez que estive com ele foi no lançamento do livro de outra grande figura das lutas libertárias do PCdoB, Meri Medeiros, fato ocorrido no Solar Bela Vista. Nesse evento conversei bastante com ele, figura simpática, orgulhoso da sua vida e das suas lutas. Meneleu, como o poeta Pablo Neruda, comunista como ele, podia dizer, confesso que vivi. O meu amigo e velho comunista, Rubens Coelho, no seu excelente trabalho “Precedentes e verdades históricas” – Coleção Mossoroense, 2005 – dedica a Francisco Meneleu um capitulo com o titulo “Francisco Meneleu, o tipógrafo da Revolução”. Esse trabalho de Rubens Coelho é uma excelente fonte de consulta sobre o que a história oficial não conta. Merece ser lido por todos os professores de história e pela nossa juventude.
Finalizo esse pequeno registro, citando o nome do Doutor Vulpiano Cavalcanti figura humana, extraordinária. Médico cearense, que veio morar no Rio Grande do Norte no fim da década de trinta. Primeiro, se estabeleceu entre Mossoró e Areia Branca, depois fixou residência em Natal, onde viveu até o fim da sua vida. Era dirigente estadual do Partido. Ao lado de Luiz Maranhão participou de todas as lutas travadas sob o comando dos comunistas ou apoiada pelo partido após a segunda guerra até a sua morte. Preso diversas vezes, Dr. Vulpiano era um exemplo de dignidade, tive a honra de conhecê-lo e participar, em plena ditadura militar, de reuniões clandestinas do partido ao seu lado. Quando fui deputado estadual (91/94) apresentei dois títulos de cidadania norte-rio-grandense, todos pós-morte, um para poetisa Zila Mamede e, o outro para Doutor Vulpiano, entregues aos seus familiares em uma bela e emocionante sessão solene no Plenário da Assembléia Legislativa do nosso Estado. Vulpiano era maçom, médico-cirurgião, comunista militante. Figura lendária na sua atividade médica como também no movimento comunista do Rio Grande do Norte. Vulpiano merece uma bela e profunda biografia, estamos devendo as novas gerações essa história, ele não pode e nem deve fica no esquecimento, a sua vida serve como exemplo para a nosso juventude. O amigo Gileno Guanabara, companheiro do Partidão, me disse que estava preparando a biografia de Vulpiano. Ele merece ser lembrado, merece um boa biografia.
Através desses velhos comunistas que sempre estarão presentes na memória das lutas populares, faço a minha homenagem a o bravo e aguerrido Partido Comunista do Brasil nesses 86 anos de sua gloriosa existência. Aos velhos camaradas, até sempre.
Professor Antonio Capistrano – ex-reitor da UERN e membro do PCdoB - RN - 25 de março de 2008.
http://www.vermelho.org.br/rn/noticia/32606-104
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sexta-feira, 11 de setembro de 2015
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
FRANCISCO MENELEU - O Guerreiro do Tempo
Ao ser preso juntamente Com vários companheiros, foram recebidos por um "Corredor Polonês" onde a soldadesca brandia os famosos sabres "Rabo de Galo" e batiam com sadismo nos presos que corriam em direção ao "tintureiro" que os aguardava no fim da fila, para leva-los à Escola de Artífices de Natal, capital do Rio Grande do Norte.
Foi assim que começava aos 18 anos o jovem Francisco Meneleu, gráfico que participara da impressão do "A Liberdade", o jornal que divulgou o ideário do Levante Comunista de 23 de novembro de 1935, sua odisseia nas masmorras da ditadura Vargas. Na data era 27 de novembro 1935, foi preso na modesta pensão em que residia e junto com ele, agora na cadeia, centenas de revolucionários civis e militares.
Ao ser transferido para a cadeia pública de Mossoró, ali nos Paredões, continuou a desenvolver trabalhos de conscientização para si e para os que ali estavam com ele, revolucionários também. O trabalho continuava, era uma pequena célula organizada que deu outra feição pelo modelo operário de organização que passou a ter naquele local. O movimento organizado por ele dentro desta prisão gerou inclusive empregos para detentos comuns.
Tinha o respeito dos companheiros que ali estavam, bem como dos administradores do presídio.
Esse livro de memórias lembra-me rascunhos seus que passou a mim, onde iniciava com a frase:
"Hoje eu acordei revoltado e com vontade de falar!"
Falava das injustiças dos homens. Mas também falava dos companheiros com boas lembranças e lembrava as lutas pela liberdade; lembrava os momentos em que encarcerado passou a conhecer e a ter respeito pelos que estavam à frente do ideário do Levante Comunista; lembrar e falar para ninguém esquecer desses Revolucionários Potiguares que já caíram vencidos pelo tempo. Lembrar também que teria de continuar com coragem para resistir.
Hoje, aos 88 anos, está resistindo contra mais esse, carrasco que o quer levar às masmorras do hades.
Francisco Meneleu, um guerreiro do tempo. Faz-me lembrar um "Hilander" Só resta um. Sim, só Ele vivo, dos que participaram no Rio Grande do Norte da Revolução Comunista de 1935.
A Ele dedico respeito, consideração e amor.
Raul Meneleu
Tive o privilégio de somar meu nome ao do autor em ato de entrega total, como filho amado por ele e o fiz em 19 de março de 2006, dia de São José, data em que nasci e recebi o nome Raul, em memória de um grande amigo seu chamado Raul Caldas.
Nessa orelha de livro resumi minha admiração por esse grande homem que veio a falecer em 18 de janeiro de 2008 na cidade de Fortaleza, capital do Ceará.
Nessa orelha de livro resumi minha admiração por esse grande homem que veio a falecer em 18 de janeiro de 2008 na cidade de Fortaleza, capital do Ceará.
Para maiores informações queiram ver os seguintes links:
FRANCISCO MENELEU O último sobrevivente de 1935
Memórias de Francisco Meneleu
O Amor vence o mêdo - Primeira mulher a casar com um preso político no Brasil
domingo, 6 de setembro de 2015
Por linhas tortas - Os 3 poderes
De meu amigo Claudio Gonçalves Jaguaribe
"Deus Supremo (Khronos, Tempo, até hoje venerado no pulso dos humanos), seguido de suas crias (espirito santo-Obatalá; deus pai-Olorum; e deus filho-Oduduá); assessorados por seu ministério comandado por Ministro da Justiça-Ogun.
Porém, o Primeiro Ministro Orixá-Nla, ou Oxalá, assumiu o controle, identificando-se com Oduduá, passando a exercer o controle sobre o conselho de Ministros (Orixás).
No Centro das decisões deve prevalecer o poder decisório de Obatalá, na terra representado pelo Congresso Nacional, a quem incumbe decidir o que fazer. Incumbe a Olorum, Poder Executivo, implementar o que foi decidido por Obatalá.
Incumbe a Oduduá (Poder Judiciário) verificar se o que foi implementado por Olorum coincide com o que foi mandado fazer por Obatalá.
Hoje em dia, aqui no Brasil, o Poder Executivo se sobrepôs ao Legislativo e atropela o Judiciário.
O trabalho, escrito por linhas tortas pelos atuais Presidentes (Orixás) do Poder Legislativo, vêm, de alguma forma, realinhando os Poderes, auxiliados pelo Poder Judiciário que vem reassumindo seu papel na organização estelar.
Suas Excelências (não suporto este cognato: Excelência - aquele que caiu do céu) vêm se reposicionando, reassumindo o papel que, originariamente, por direito, lhes incumbia.
Falta decidir que o Povo (Oduduá pode ser assim entendido, mas na realidade significa toda a matéria) dá a 1ª e última palavra, sendo seu coordenador o 1º Ministro (para fins de execução) Oxalá.
Oxalá representa Odudua mas, não é ele. É uma entidade autônoma, diversa de Oduduá. Falta decidir quem comanda o Governo.
Inicialmente Ogun (Ministro da Justiça) secretariava o Governo, decidindo como o 1º Ministro implementaria o decidido, porém o 1º Ministro (Oxalá) passou a exercer o controle absoluto sobre as reuniões Ministeriais.
São 14 Ministros que compõem o Gabinete Ministerial (14 Orixás). Ordenados pela linha de 7 entidades e seus reversos espelhos, mais 7.
Traduzindo para os nossos dias: Quem decide, ou deveria decidir, seria o deus pai, materializado no Poder Legislativo (onde três ou mais pessoas estiverem reunidas em meu nome, eu estarei presente), decisões que devem ser implementadas pelo deus filho materializado no Poder Executivo, cabendo ao espírito santo, materializado no Poder Judiciário, dizer se o que foi implementado pelo Poder Executivo está de acordo com o decidido pelo deus pai.
Assim, dá para entender o problema político hoje vivido no Brasil. Estamos diante de uma situação em que o Poder Legislativo tenta retomar as rédeas do Poder. Pois representa o povo, do qual todo poder emana.
De outro lado, o Poder Judiciário, inclusive o Judiciário Putativo (TCU, embora tenha o nome de Tribunal, não integra o Judiciário mas, sim, o Legislativo), vem assumindo seu papel, substantivo, de julgar o comportamento do Executivo.
Resumindo, dos três Poderes, dois já assumiram seus papéis de Protagonistas, deixando de ser caudatários do Executivo, que há de se lhes submeter. Doutro lado, em sentido diametralmente oposto, temos o Estado Islâmico.
Os seguidores cristãos de Thiago, o Justo, permaneceram em Jerusalém após a diáspora dos seguidores de Jesus (deus filho), que afirmara ser as três pessoas numa só.
Assim, interpretando literalmente suas palavras, nos anos 400 de nossa Era, surgiu seu maior seguidor/Profeta: Maomé. Seus seguidores não admitem a divisão de deus em três pessoas, em consequência não admitem a divisão dos Poderes, nem do mundo em espiritual e material.
Neste Diapasão, para eles, há uma única Lei: a Sharia. Um único Poder exercido Pelo Aiátola. Sendo assim, é-lhes inadmissível a possibilidade do estado ser láico, pois emana do Poder Divino, exercido pelos Aiátolas.
Pena que seja Eduardo Cunha quem esteja fazendo o realinhamento dos Poderes mas, deus escreve certo por linhas tortas.
Sei, por popular sabença, que nossa civilização, de 10.400 anos aproximadamente, não surgiu do zero para se desenvolver. Há notícias de civilizações anteriores a esta data das quais nada sabemos. Porém, custa-me a crer que simples pastores, filosofando à noite, em torno de fogueiras, tenham atingido tais níveis de conhecimento de deus, matéria e estrutura de poderes.
Tudo me leva a crer na existência de um livro que Rob Howard (autor de Conan) denominou Necronomicon. Além disso, existe, na Biblioteca do Vaticano, uma coleção de discos de platina, descobertos por Teillard de Chardin, em escavações de uma civilização (antes de 10.500 anos atrás?) que podem ser entendidos como CD-ROMs.
Me pergunto: Como uma civilização tida como primitiva tinha tecnologia que só recentemente se tornou disponível ao público?"
MEU COMENTÁRIO:
O conhecimento é vasto amigo Claudio Gonçalves Jaguaribe mas ainda tem muitas coisas que não sabemos por conta dos que acreditam que não estamos ainda preparados e esses têm o poder de alguma forma. Apenas alguns da raça humana têm preparo e podem aceitar o novo que surge. Vivemos ainda em uma fase da humanidade em que o novo é temeridade pois ainda carregamos uma enorme carga genética animalesca e ainda deixamos o ódio dominar. Existem duas correntes de entidades: uma que quer a humanidade desenvolvendo-se aos poucos e outras que querem entregar-nos o máximo de conhecimento.
Falo contra e a favor.
"Deus Supremo (Khronos, Tempo, até hoje venerado no pulso dos humanos), seguido de suas crias (espirito santo-Obatalá; deus pai-Olorum; e deus filho-Oduduá); assessorados por seu ministério comandado por Ministro da Justiça-Ogun. Porém, o Primeiro Ministro Orixá-Nla, ou Oxalá, assumiu o controle, identificando-se com Oduduá, passando a exercer o controle sobre o conselho de Ministros (Orixás).
No Centro das decisões deve prevalecer o poder decisório de Obatalá, na terra representado pelo Congresso Nacional, a quem incumbe decidir o que fazer. Incumbe a Olorum, Poder Executivo, implementar o que foi decidido por Obatalá.
Incumbe a Oduduá (Poder Judiciário) verificar se o que foi implementado por Olorum coincide com o que foi mandado fazer por Obatalá.
Hoje em dia, aqui no Brasil, o Poder Executivo se sobrepôs ao Legislativo e atropela o Judiciário.
O trabalho, escrito por linhas tortas pelos atuais Presidentes (Orixás) do Poder Legislativo, vêm, de alguma forma, realinhando os Poderes, auxiliados pelo Poder Judiciário que vem reassumindo seu papel na organização estelar.
Suas Excelências (não suporto este cognato: Excelência - aquele que caiu do céu) vêm se reposicionando, reassumindo o papel que, originariamente, por direito, lhes incumbia.
Falta decidir que o Povo (Oduduá pode ser assim entendido, mas na realidade significa toda a matéria) dá a 1ª e última palavra, sendo seu coordenador o 1º Ministro (para fins de execução) Oxalá.
Oxalá representa Odudua mas, não é ele. É uma entidade autônoma, diversa de Oduduá. Falta decidir quem comanda o Governo.
Inicialmente Ogun (Ministro da Justiça) secretariava o Governo, decidindo como o 1º Ministro implementaria o decidido, porém o 1º Ministro (Oxalá) passou a exercer o controle absoluto sobre as reuniões Ministeriais.
São 14 Ministros que compõem o Gabinete Ministerial (14 Orixás). Ordenados pela linha de 7 entidades e seus reversos espelhos, mais 7.
Traduzindo para os nossos dias: Quem decide, ou deveria decidir, seria o deus pai, materializado no Poder Legislativo (onde três ou mais pessoas estiverem reunidas em meu nome, eu estarei presente), decisões que devem ser implementadas pelo deus filho materializado no Poder Executivo, cabendo ao espírito santo, materializado no Poder Judiciário, dizer se o que foi implementado pelo Poder Executivo está de acordo com o decidido pelo deus pai.
Assim, dá para entender o problema político hoje vivido no Brasil. Estamos diante de uma situação em que o Poder Legislativo tenta retomar as rédeas do Poder. Pois representa o povo, do qual todo poder emana.
De outro lado, o Poder Judiciário, inclusive o Judiciário Putativo (TCU, embora tenha o nome de Tribunal, não integra o Judiciário mas, sim, o Legislativo), vem assumindo seu papel, substantivo, de julgar o comportamento do Executivo.
Resumindo, dos três Poderes, dois já assumiram seus papéis de Protagonistas, deixando de ser caudatários do Executivo, que há de se lhes submeter. Doutro lado, em sentido diametralmente oposto, temos o Estado Islâmico.
Os seguidores cristãos de Thiago, o Justo, permaneceram em Jerusalém após a diáspora dos seguidores de Jesus (deus filho), que afirmara ser as três pessoas numa só.
Assim, interpretando literalmente suas palavras, nos anos 400 de nossa Era, surgiu seu maior seguidor/Profeta: Maomé. Seus seguidores não admitem a divisão de deus em três pessoas, em consequência não admitem a divisão dos Poderes, nem do mundo em espiritual e material.
Neste Diapasão, para eles, há uma única Lei: a Sharia. Um único Poder exercido Pelo Aiátola. Sendo assim, é-lhes inadmissível a possibilidade do estado ser láico, pois emana do Poder Divino, exercido pelos Aiátolas.
Pena que seja Eduardo Cunha quem esteja fazendo o realinhamento dos Poderes mas, deus escreve certo por linhas tortas.
Sei, por popular sabença, que nossa civilização, de 10.400 anos aproximadamente, não surgiu do zero para se desenvolver. Há notícias de civilizações anteriores a esta data das quais nada sabemos. Porém, custa-me a crer que simples pastores, filosofando à noite, em torno de fogueiras, tenham atingido tais níveis de conhecimento de deus, matéria e estrutura de poderes.
Tudo me leva a crer na existência de um livro que Rob Howard (autor de Conan) denominou Necronomicon. Além disso, existe, na Biblioteca do Vaticano, uma coleção de discos de platina, descobertos por Teillard de Chardin, em escavações de uma civilização (antes de 10.500 anos atrás?) que podem ser entendidos como CD-ROMs.
Me pergunto: Como uma civilização tida como primitiva tinha tecnologia que só recentemente se tornou disponível ao público?"
MEU COMENTÁRIO:
O conhecimento é vasto amigo Claudio Gonçalves Jaguaribe mas ainda tem muitas coisas que não sabemos por conta dos que acreditam que não estamos ainda preparados e esses têm o poder de alguma forma. Apenas alguns da raça humana têm preparo e podem aceitar o novo que surge. Vivemos ainda em uma fase da humanidade em que o novo é temeridade pois ainda carregamos uma enorme carga genética animalesca e ainda deixamos o ódio dominar. Existem duas correntes de entidades: uma que quer a humanidade desenvolvendo-se aos poucos e outras que querem entregar-nos o máximo de conhecimento.
Falo contra e a favor.
Padre Cícero - Curiosidades e Traços Biográficos
Período de 1844 a 1870
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| Brochura de J. Machado |
Em 24 de Março de 1844 nasceu o PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA, filho legitimo. de Joaquim Romão Batista e de Dona Joaquina Vicencia Romana, alvo de olhos azuis, bem parecido e de família católica. Em 1863, estando a cursar no colégio do Padre Rollin, em Cajazeiras, Estado da Paraíba, esteve para abandonar sua carreira em que pretendia ser sacerdote, em virtude do cólera-mórbus, de que foi vitima o seu pai. Ficou viúva sua mãe com duas filhas de nomes Maria e Angélica. Ele, como único homem de casa, assumiu a direção da mesma, liquidou alguns débitos deixados por seu pai que era peque-no comerciante e agricultor.
De 1865 a 1870 passou a estudar no Seminário de Fortaleza, onde sempre revelou clima vocação, a ponto que seu bispo Dom Luiz dos Santos o chamava "anjo do Cearà". Um seu colega e até pouco tempo vigário de Taperoá na Paraíba, relata que, em certo passeio com o corpo docente e discente daquele seminário, não tendo onde colocar seu chapéu, porque os outros tinham ocupado todos os locais próprios, na casa de hospedagem, num sitio, colocou-o numa parede onde nada o segurava, a não ser algum poder oculto, o que deu lugar a comentários entre seus colegas que o inquirindo com perguntas, tinham como resposta apenas sorrisos discretos. Apesar de algumas dificuldades, ordenou-se em 1870.
De 1870 a 1879.
Em 1872 o Padre Cicero foi nomeado capelão da então Capelania do Juazeiro, constante de pequena população, algumas casas de tijolos e telhas, com poucas de taipa e palhas. Sua capelinha era de taipa e telhas sob o oratório de Nossa Senhora das Dores e edificada pelo Padre Pedro Ribeiro de Carvalho.
O Padre Cicero que durante alguns anos também foi vigário de S. Pedro do Cariri, onde exercia seu sacerdócio sem cobrar pagamento pelos feitos religiosos que praticava, recebendo apenas o que cada paroquiano achava conveniente para sua manutenção de sacerdote pobre.
As vezes, castigava, certos paroquianos, com palmatória, porque e tinha sobre os mesmos absoluta acedência moral, devido à sua vida exemplar de homem honesto, sincero e humilde, fazendo missões religiosas e ensinando o catecismo.
Dizem que ele tinha. o dom de bilocação (A Bilocação pode ser definida com o ato de estar em dois lugares ao mesmo tempo. Segundo a Igreja Católica, a bilocação é um Carisma que poucos poderão receber.), como Santo Antônio, São Francisco Xavier, Santo Afonso e outros santos, a ponto de se transportar em espirito, a lugares distantes quanto adormecia, como, lhe acontecia, em certos momentos mesmo quando viajava a cavalo: tal dom lhe serviu durante toda sua vida.
Dominado da grande espírito acético, à maneira do Padre Ibiapina, organizou um núcleo de moças a que deu instrução religiosa particular e o manto de beatas. Uma delas, mestiça quase preta e filha desta cidade, em março de 1889 revelou fenômenos extraordinários, pois que era obrigada a expôr num recipiente, por ocasião da Comunhão, as hóstias por ela recebidas, uma vez que não podia degluti-las, porque as mesmas passavam a formar postas de carne e sangue.
De 1889 a 1908
Tais acontecimentos que ocorreram no ano em que se ia proclamar o regime republicano no Brasil, tiveram imenso efeito, dando lugar a afluírem para este local indivíduos de todas as classes sociais, particularmente dos sertões nordestinos. Foi o começo da formação desta cidade, onde ao lado dos grupos de penitentes da Irmandade da Cruz, surgiam os comerciantes, artistas e operários, todos trabalhando, pois a ordem do Padre Cicero como verdadeiro apóstolo do bem consistia em mandar que trabalhassem e rezassem, todos os dias, o Rosário.
Não afastava de sua presença nem os maiores criminosos, pois diziam que sua obra era de salvarão e Jesus Cristo não veio ao mundo para salvar os santos e sim os pecadores.
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| Beata Maria de Araujo |
Padre Cícero amava seu povo, como prova a carta escrita de Roma a sua querida mãe (Leia abaixo juntamente com o testamento de Padre Cícero). Os romeiros, desde então, até hoje, jamais deixarem de afluir a esta cidade em visitas a Nossa Senhora das Dores e traziam quase sempre dinheiro para ele e para Ela.
O Padre Cicero, no começo se recusava a receber importâncias, pois queria continuar em sua vida de pobreza, como dantes, mas certas beatas que o cercavam. particularmente uma de nome Joana Tertulina de Jesus (Dona Mocinha) que passou a ser a governante de sua casa, conseguiram convence-lo de que devia receber os dinheiros que lhe traziam e emprega-los em uma obra pia, como prova, temos nesta cidade, principalmente a Ordem Salesiana sem falar em outras organizações semelhantes ou de menores vultos.
Afinal de pequena aldeia o Juazeiro passou a grande centro humano contando cerca de 20 mil habitantes, em 1908, quando, conseguiu separar-se do Município de Crato, constituindo o Município de Juazeiro do Padre Cicero.
De 1908 a 1934Pouco depois da criação deste Município chegou aqui o médico Baiano Doutor Floro Bartolomeu da Costa, o qual conseguiu do Padre em cuja casa se hospedou, ao chegar nesta cidade, em companhia do engenheiro Conde Adolfo van den Brule. Com grande simpatia, Floro logo passou a ser o dirigente da politica local, embora o padre, nominalmente, continuasse a ser o prefeito do município e tivesse todo prestígio e responsabilidade perante a politica do Governo Acióli.
No Governo Marechal Hermes Pinheiro Machado, foi deposto o Governo Acióli e passou a governar o Ceará o Coronel Marcos Franco Rabelo. o qual, terminou, sendo deposto por elementos do partido aciolista, entregando o Governo deste Estado ao então Coronel Setembrino de Carvalho, que o assumiu em Março de 1914, no função de Interventor Federal. Os referidos elementos aciolistas tiveram como sede da revolução anti-rabelista, Juazeiro, tendo como principais chefes sob a influência e prestigio do patriarca, o Dr. Floro, o Coronel Pedro Silvino, o Dr. José de Borba, e em Fortaleza o Coronel João Brígido, redator do Unitário, além de outros no Rio de Janeiro e no Ceará.
Depois da revolução, passou o Padre Cicero a gozar de maior prestigio político, sendo visitado por muitos políticos e alguns governadores do Estado. Servindo-se de sua posição de representante do povo, o Deputado Federal Floro atendendo ao perigo a que estava exposto o vale do Cariri, ante as colunas de revoltosos de Carlos Prestes a se moverem em direção ao Nordeste, conseguiu que o Governo Artur Bernardes, sem demora, organizasse nesta cidade um Batalhão Patriótico, formado de 1200 homens, que se deslocavam auxiliando as forças federais, isto em 1926, quando faleceu Floro, no Rio de Janeiro.
Em 1930, por ocasião da revolução que terminou empossando Getúlio Vargas na Presidência da Republica, quando o Padre Cícero, quase cego de cataratas em ambas as vistas, recebeu de manhã um telegrama do Governador do Estado Matos Peixoto, perguntando qual era sua atitude em face das vitórias dos revoltosos, ao que ele, mal assinando telegrama feito por alguns de seus secretários, respondeu dizendo que o governo contasse até mesmo com o concurso de homens armados, nesta cidade, em defesa da legalidade. Na tarde do mesmo dia, recebeu ele um telegrama de chefes revoltosos, perguntando qual sua atitude em relação aos ditos revoltosos, ao que ele respondeu, guiado pelos mencionados secretários, assinando sem ler, um telegrama no qual dizia que nenhum de seus amigos pegaria em armas contra revoltosos.
Em 1931, a 9 de março, chega a esta cidade a chamado do Reverendíssimo Padre Cicero Romão Batista o Doutor Juvêncio Joaquim de Santana, que se achava residindo em Fortaleza, para dirigir não somente a sua politica como também os seus negócios particulares.
Fonte do artigo: Brochura "Duas palavras" de J. Machado - Editado no ano de 1948
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
UM SUPORTE PARA A DEMOCRACIA NA ERA DIGITAL
Escritores chamam a atenção de todos os "navegadores" da internet para um projeto de lei de direitos digitais. Cerca de 500 escritores se juntaram para fazerem uma petição internacional para as Nações Unidas, apelando para os direitos democráticos na era digital.
São conhecidos como:
"Escritores Contra a vigilância em massa".
Outros escritores que assinaram o apelo "Um suporte para a democracia na era digital", incluem Ingo Schulze, Orhan Pamuk, JM Coetzee, Günter Grass, Margaret Atwood, Will Auto, Björk, David Malouf, Nick Cave, Don DeLillo, Nuruddin Farah, e Umberto Eco.
UM SUPORTE PARA A DEMOCRACIA NA ERA DIGITAL
Nos últimos meses, a extensão da vigilância em massa se tornou de conhecimento comum. Com alguns cliques do mouse o Estado pode acessar o seu dispositivo móvel, o seu e - mail, as suas redes sociais e pesquisas na Internet. Ele pode seguir suas inclinações e atividades políticas e, em parceria com empresas de Internet, coleciona e armazena seus dados e, assim, pode prever o seu consumo e comportamento.
O pilar fundamental da democracia é a integridade inviolável do indivíduo. Integridade humana se estende para além do corpo físico. Em seus pensamentos e em seus ambientes e comunicações pessoais, todos os seres humanos têm o direito de permanecer despercebido e não serem molestados.
Este direito humano fundamental ficou nulo através de abusos tecnológicos desenvolvidos por estados e corporações para fins de vigilância em massa.
Uma pessoa sob vigilância já não é livre; uma sociedade sob vigilância já não é uma democracia. Para manter qualquer validade, os nossos direitos democráticos devem aplicar-se em ambiente virtual tanto quanto no espaço real.
Vigilância viola a esfera privada e compromete a liberdade de pensamento e de opinião.
Vigilância em Massa trata cada cidadão como um suspeito em potencial. Ele derruba um dos nossos históricos triunfos, a presunção de inocência.
Vigilância faz com que o indivíduo torne-se transparente, enquanto o Estado e as corporações operam em segredo. Como vimos, esse poder está sendo abusada sistemicamente.
A vigilância é roubo. Estes dados não são propriedade pública pois pertencem a nós. Quando ele é utilizado para prever nosso comportamento, somos roubados de outra coisa: o princípio da livre vontade crucial para democrática liberdade.
EXIGIMOS o direito de todas as pessoas para determinar, como cidadãos democráticos, em que medida pessoal os seus dados podem ser legalmente coletadas, armazenadas e processadas, e por quem; para obter informações sobre o seus dados, onde são armazenados e como ele está sendo usado; para se obter a supressão dos seus dados se tiverem sido recolhidas ilegalmente e armazenado. Apelamos a todos os Estados e das empresas a respeitar estes direitos. Apelamos a todos os cidadãos a se levantar e defender esses direitos.
APELAMOS À NAÇÕES UNIDAS a reconhecer a importância central da proteção dos direitos civis na era digital, e para criar uma Carta Internacional dos Direitos Digitais. Apelamos aos governos para assinar e aderir a essa convenção.
JOAZEIRO DO CARIRY
Livro de autoria de Alencar Peixoto confeccionado na Tipografia Moderna na cidade de Fortaleza, capital do Ceará, no ano de 1913, onde o autor mostra "vago contorno da realidade" conforme palavras de Eça de Queiroz, em edição provisória, que me caiu às mãos, e que está me fazendo deleite de leitura. Do mesmo autor, estou buscando o livro "A Villa do Joazeiro" e até agora não encontrado. Espero que em viagens futuras a essa grande cidade de Juazeiro do Norte, em buscas pelos bons locais da história, estabelecidos por aqueles que preservam a memória dessa cidade, venha a encontra-lo. Para o deleite daqueles que gostam, coloco aqui o inicio dessa obra:JOAZEIRO DO CARIRY*
— Sim, meu caro, 'procurarei de alguma forma
satisfazer-te. O povoamento inicial do Joazeiro do Cariry data, pouco mais ou
menos, de 1800. Começou com o padre Pedro Ribeiro Monteiro, de saudosissima
memoria. Apenas alli chegara, pioneiro, tractou de logo esse padre comprar
terras e de situar n'ellas fazendas de gado e miuças.
Religioso que era, afortunado, dispondo de uma larada
de mancípios que trouxera com sigo dos sertões de Jaguaribe-mirim, em quanto
que assim procedia, levantava a primeira orada, o primeiro altar, a primeira
cruz.
Feita a ermida que consagrara à N. Senhora das Dôres,
familias, vindas de longe e das immediações do local, foram-se à volta d'ella
arraiando. De aspecto alacre, à margem de um ribeirinho anonymo que se chamou
depois Salgadinho, ao poente a serra do Catolé, do norte para o nascente a
serra do Araripe, formando um triangulo com o Crato e Barbalha, levantou-se, a
grandes raçadas do sol forte, o pittoresco povoado. Era, em começo, e como tudo
conspirava para o seu bem estar — o ar mais doce e mais suave, o ceu mais azul
e mais belfo, a natureza mais risonha e mais amavel, e o homem sobretudo mais
livre, mais serio, mais espiritual e mais celeste; era, em começo, um como
ninho de pombas, alli, n'aquella altura, interrompido apenas pela bicharia dos
brejos, cantarolando à noite a psalmodia da lama.
Mais tarde, porém, com a morte do velho padre em 1856,
si me não engano, lá vieram de romania as rixas e as discordias e as contenções
e os arrancos do odio e da ambição perturbando a paz, desconcertando a ordem,
desmantellando o ninho... Tão animado, tão cheio de vida que então ia o
logarejo, alargando-se com as suas casinhas, com os seus humildes cochicholos,
ruto em fora de sua evolução social, estacionara de todo, e, poucos annos
depois, em 1868, era um cadaver, decompondo-lhe à forma a autopsia da morte.
Mas, em 1872, eis que, com a presença do reverendo
padre Cicero, foi-se, a pouco e pouco, com admiração de todos, recompondo o
cadaver, e, recomposto, galvanisado, resurgira! Em contacto com o jovem do
sacerdote ascendido em zelo de Jesus Christo, inflammado em amor do proximo, as
mãos cheirando ainda aos sanctos oleos; em contacto com esse sacerdote humilde
e pobre que, a convite dos macotas da terra, para lá se fôra e lá se ficara
como capellão, deu mais o Joazeiro uns passos para adeante e de seguida estacou.
Adentrado, com as suas casinhas, formando em conjuncto
um ponto branco no azul do tempo, ah! esperava elle um d'esses momentos
invenciveis, tão raros na historia de um povo, para, vertiginosamente, e à
semelhança de um grande polvo, estender por sobre aquelle scenario os seus
tentaculos. E esse momento chegou. Com a affluencia, em 1890, dos devotos,
vindos de todas as partes, attrahidos pelos taes factos miraculosos que
attribuiam «a in-tuito de mercês com que Deus queria premiar as gentes», mas
que a S. Sé condemnara, desdobrou-se, pois, e alastrou-se, admiravelmente, o
povoado.
Seu commercio que se resumia em tres ou quatro tabernas
de aguardente de envolta com tres ou quatro peças de fazenda, desenvolveu-se de
um modo espantoso. Em todas as direcções do togar ergueram-se tendas e
officinas de chumecos, de oleiros de flandeiros, de carpinteiros, de
imaginados, de alfaiates, de quantos artistas, n'uma palavra, havia por ahi fora.
Familias contavam-se por centenas, e, como sempre chegavam, iam os alveneis
edificando ao som de lôas ao sangue precioso, à N. Senhora das Dôres, à beata
Maria de Araújo e ao padre Cicero.
E assim por mais de vinte annos, tornando-se o
Joazeiro, hoje villa por decreto do governo n.0 1028 de 22 de julho de 1911, o
maior nucleo de população que existe em todo o Ceará. Não ha mal que, nas
plicaturas de seu vestuario negro, algum bem não traga. O puro mal não existe.
*Como escrito no original
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Tratem bem seus animais domésticos
Deus em seu maravilhoso Amor e Misericórdia, registrou em sua palavra a Bíblia
Sagrada, suas regras para que os seres humanos possam saber
como Ele quer que tratemos os animais domésticos.
No
livro de Provérbios capítulo 12 versículo 10 está escrito que “O justo
importa-se com a alma do seu animal doméstico, mas as misericórdias dos iníquos
são cruéis.”
Esse
justo aqui falado refere-se a pessoas que conhecem as necessidades dos seus
animais e se interessam no bem-estar deles, e que pessoas chamadas de iníquos
não se interessam por eles e não reconhecem a tais como também filhos de Deus.
Essas
pessoas chamadas de iniquas seguem apenas seus princípios egoístas,
insensíveis, e o tratamento que dispensam aos animais baseia-se apenas no
proveito que se pode tirar deles.
O
que o iníquo talvez considere ser um tratamento correto, pode na realidade ser
um tratamento cruel. Podemos ver isso na história de Esaú e Jacó quando instado
a acelerar o passo de sua comitiva, por Esaú, Jacó explicou que tinha filhos
pequenos e ainda mais para não o fazer, disse a Esaú que as ovelhas e o gado
vacum tinham crias e se apressasse o passo poderiam morrer. Gênesis 33 :12-14.
Por
isso vemos que a preocupação de um homem de bem para com os seus animais domésticos
tem precedente no cuidado do próprio Deus para com eles como parte da sua
criação, e isso nós podemos constatar em sua palavra em diversos livros tais
como o de Êxodus 20:10; Deuteronomio 25:4; 22:4, 6, 7; 11:15; Salmos
104:14, 27 e em Jonas 4:11.
Esse relato está em Mateus 15:24-28 e
mostra que até mesmo na casa de um pobre, os animais podem alimentar-se das
sobras de sua mesa.
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